As nutritivas sementes sagradas: Tukmaria, Linhaça, Gergelim, Chia, Quinua, Amarantu

Tukmaria: as nutritivas sementes sagradas

As sementes Tukmaria (ocimum basilicum) são sagradas em muitos países asiáticos, devido às suas excelentes propriedades nutricionais. São um ingrediente usado na medicina ayurvédica na Índia, mas também em pratos do sudeste asiático, nomeadamente sobremesas e bebidas.
Embora a tukmaria tenha feito parte de uma dieta equilibrada, em muitos países durante anos, é ainda pouco conhecida nos países ocidentais. Devido ao sucesso das suas “primas” sementes de chia, estão agora a ser descobertas e têm ganho popularidade na Europa e na América.
As sementes de Tukmaria são muito pequenas (como as sementes de papoila), pretas e de sabor neutro.

Propriedades nutricionais e medicinais

São muito nutritivas e pobres em calorias (233 Kcal por 100g) quando comparadas com as “suas primas” sementes de chia (apresentam 595 Kcal por 100g). Apresentam propriedades antioxidantes e são um bom alimento para celíacos.
São ricas em proteínas (23g por cada 100g), cálcio (2240 mg – 224% da dose diária recomendada: DDR), ferro (89mg – 499% da DDR), magnésio (711mg – 178% da DDR), potássio (2630mg – 56%), vitamina E (10.7mg – 53% da DDR) e ácido fólico (310 mcg – 78% da DDR).
Vários benefícios têm sido atribuídos às sementes de tukmaria, quando consumidas regularmente, como parte de uma dieta equilibrada. Entre os inúmeros benefícios, destacam-se:

  • O gel mucilaginoso que se forma à volta das sementes quando estas são misturadas com líquido, atua como um emoliente e que acalma as membranas mucosas.
  • As sementes podem agir como um supressor de apetite durante programas de perda de peso, quando são consumidas (ou bebidas) antes das refeições. Uma vez que são muito nutritivas e pobres em calorias, contribuem para minimizar a possibilidade de deficiência nutricional, mesmo sob baixa ingestão calórica.
  • Tal como as sementes de chia, que também formam um gel quando estão em contacto com líquidos, acredita-se que as sementes tukmaria retardam o processo de conversão de hidratos de carbono em açúcares do corpo, contribuindo assim para a perda de peso e apetite. Isso explica a sensação de saciedade que dura mais tempo e pode ser útil tanto para perda de peso, como para a diabetes.
  • O consumo regular destas sementes contribui para uma melhoria do aparelho digestivo, eliminando as toxinas do intestino.
  • Também ajudam a prevenir as doenças do coração diminuindo os níveis de colesterol.

Por todos os benefícios apresentados, as sementes tukmaria são um excelente complemento de uma dieta equilibrada.

Como consumir

sementes tukmariaAs sementes de tukmaria são um alimento muito versátil. Podem ser utilizadas em muitas receitas, bebidas, sobremesas e até mesmo em bolos como um agente de ligação (por exemplo, para substituir ovos). Para consumir as sementes basta misturá-las em muesli, iogurtes, saladas, batidos, sopa, pratos de massa ou na confeção de pão ou biscoitos.
Pode ainda misturar uma colher de sopa de sementes a 250 ml de água (aumentam várias vezes o seu volume), deixar repousar uns 15 minutos e beber simples, misturado com sumo de limão ou com batidos de frutas. Podem ainda ser usadas para engrossar bebidas e sobremesas.

Semente de Linhaça

Semente de Linhaça
Originária de uma planta de uso milenar, a semente de linhaça apresenta excelentes propriedades nutritivas e medicinaisOrigem – Não se sabe ao certo qual a origem do linho ou linhaça. Acredita-se que essa planta de cultivo milenar seja asiática. O linho é mencionado no Antigo Testamento e era usado pelos antigos egípcios para confecção do tecido que envolvia as múmias. Recentemente, arqueologistas encontraram em uma pequena vila próxima ao rio Tigre, na Turquia, uma ferramenta envolvida em um pano de linho. Esse artefato foi datado de aproximadamente 7.000 a.C., sendo o tecido mais antigo já descoberto pelo homem. Como alimento, alguns historiadores acreditam que as sementes de linhaça já eram utilizadas na Grécia Antiga (700 a.C).A linhaça é a semente do linho (Linum usitatissimum), muito utilizada em culinária, onde é consumida com casca e dela se extrai o óleo de linhaça que é rico emÓmega 3, Ómega 6 e Ómega 9. Além disso o óleo da Linhaça é usado na indústria cosmética, em farmácias de manipulação e na pintura a óleo, sendo o veículo mais comum na preparação de tintas industriais artísticas a óleo.Propriedades Nutricionais – Cada 100 gramas de semente de linhaça apresentam aproximadamente 490 calorias. A linhaça contém vitaminas B1, B2, C, E e Caroteno. E ainda apresenta ferro, zinco e uma pequena quantidade de potássio, magnésio, fósforo e cálcio. Cerca de 39% da sua composição é de óleo. Desse total, a maior parte é formada por ômega-3 (57%) e ômega-6 (16%), tipos de gordura polinsaturadas que devem ser obtidas através da alimentação, pois não são produzidas pelo corpo. Além do ômega-3 e ômega-6, 9% são gorduras saturadas e 18% monoinsaturadas. Tanto a semente amarela quanto a marrom apresentam as mesmas propriedades nutricionais.Propriedades Medicinais – A semente de linhaça é considerada um alimento funcional. Isso porque, além das suas propriedades nutritivas, ela contém substâncias capazes de prevenir doenças. Por ser rica em ômega-3 e ômega-6, a semente de linhaça atua na prevenção de problemas cardiovasculares e ajuda na construção de moléculas de hemoglobina, exercendo ação antioxidante e de renovação celular. Uma colher de chá de óleo de linhaça ou uma colher e meia de sopa da semente moída, garante a ingestão de todo ômega-3 que uma pessoa precisa. A linhaça também é excelente na regularização das funções intestinais e indicada para diabéticos, por ser capaz de estabilizar os níveis de açúcar no sangue. Alguns estudos apontam que a linhaça pode ajudar na prevenção da obesidade.Curiosidades – A semente de linhaça moída tem mais benefícios nutricionais que a semente inteira. Como ela é muito dura, acaba não sendo digerida corretamente e pode passar direto pelo organismo, reduzindo suas vantagens nutricionais. Antigas culturas consideravam a linhaça uma planta abençoada. Eles acreditavam que ela era capaz de trazer fortuna, restaurar a saúde e proteger contra a feitiçaria. Para os egípcios, o linho branco tinha uma ligação direta com a deusa Ísis, sendo um símbolo de luz divina e pureza.

Os benefícios da semente de gergelim

por Nutricionista Juliana Paula Bruch – CRN2 8899D

O gergelim é  uma das plantas mais antigas cultivadas pelo homem. Seu país de origem é incerto, porém alguns estudos mostram sua localização entre Ásia e a África.

Esta planta é cultivada desde a antiguidade. No Egito, por exemplo, no tempo dos faraós, o gergelim era utilizado para obtenção do óleo, os impérios entre os rios Tigre e Eufrates cultivavam comercialmente o gergelim e os orientais consideravam as sementes quase sagradas.

A semente chegou ao Brasil pelos portugueses no século XVI, daí foi sendo cultivado, tradicionalmente, como “cultura de fundo de quinta”. O grão era consumido em nível de fazendas, e havia raros excedentes para comercialização.

Como característica a planta atinge de 1,5 a 2m de altura. Suas flores são brancas, púrpura ou cor-de-rosa. Os frutos apresentam-se em formas umas cápsulas pubescentes contendo sementes achatadas chegando de 2 a 5 mm de comprimento, com normalmente em cor castanha, branca ou preta. Hoje a ciência já pode nos mostrar vários benefícios que a planta nos traz.

MAS DE QUE FORMA DEVEMOS CONSUMIR O GERGELIM?

A melhor forma de consumir a semente é na forma integral; crua e com casca.

O gergelim umedece e lubrifica os intestinos em função da presença de ácido linol presente na casca de gergelim, aumentando o peristaltismo intestinal, o trânsito do bolo alimentar e ativando a circulação sanguínea na parede intestinal. Também evita e trata a prisão de ventre e hemorróidas.

Para as gestantes que apresentam prisão de ventre, o ideal é tomar suco desintoxicantes com gergelim para tratar este problema.

O QUE CONTÉM NA SEMENTE E QUE BENEFÍCIOS PROPORCIONA?

O gergelim é uma excelente fonte de proteínas, rico em gorduras do bem (gorduras monoinsaturadas) e com grande concentração de fibras. É indicado no controle da glicemia sanguínea (açúcar no sangue). Além disso, o gergelim apresenta grande quantidade de cálcio, ajudando no controle da massa corporal gorda, tanto na lipólise (quebra de gordura), quanto na inibição da lipogênese (armazenamento de tecido adiposo. Apresenta também alto teor de fósforo e ferro e é rico em vitaminas do complexo B.

Alguns benefícios:

Fortalece os tendões e ossos;

Tonifica o fígado e os rins;

Tônico geral, principalmente após hemorragias;

Combate dores lombares e de joelhos, reumatismo;

Evita a queda e o branqueamento precoce dos cabelos;

Melhora a elasticidade da pele e desenvolve forte poder antioxidante nas células.

DE QUE FORMA A SEMENTE CONTRIBUI PARA A PERDA DE PESO?

O gergelim é ideal para quem procura boa forma ou mesmo uma dieta equilibrada, pois ele possui grande quantidade de fibras, o que auxilia no bom funcionamento do intestino.

Ele tem o poder de aumentar a saciedade, pois apresenta uma casca rica em fibras, que leva mais tempo para ser quebrado e digerido pelo organismo, assim acaba estendendo o período de “sentir fome”. Além das proteínas que estão presentes na semente, onde também auxiliam neste processo e ainda previnem a flacidez.

O gergelim em si não é o responsável pelo emagrecimento, mas  as fibras insolúveis encontradas nele auxiliam na regulação do trato intestinal e saciedade.

QUAL SERIA A QUANTIDADE ADEQUADA PARA O CONSUMO?

Não há estudos suficientes para ter certeza da quantidade diária exata que devemos ingerir, porém alguns estudos mostram que a ingestão de 30g/dia já nos traz benefícios, como a redução do risco de diabetes e obesidade por exemplo.

CONSUMINDO PÃES OU BOLACHAS COM GERGELIM , POR EXEMPLO, CONSEGUIMOS O BENEFÍCIO DA SEMENTE?

O ideal é que a semente seja ingerida em sua forma integral, porém qualquer alimento que apresentar em sua composição o gergelim vai trazer benefícios ao nosso corpo. Hoje já podemos encontrar vários alimentos que o possui, mas também podemos inseri-lo em nossas receitas caseiras, levando um toque mais saboroso como ao arroz e saladas.

Fonte:  ANutricionista.Com – Juliana Paula Bruch – CRN2 8899D

Referências Bibliográficas:

http://www.docelimao.com.br/site/linhaca/539-o-gergelimhttp://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/gergelim/gergelim

SEMENTES DE CHIA

Indispensável para os vegetarianos por conter muita proteína.
O que é a chia?
A chia é uma semente mágica com propriedades nutritivas especiais para as aves.
A chia (Salvia hispanica L.) é uma pequena semente de forma oval (2 mm de comprimento)
e é um super-alimento antiquíssimo de cor acastanhada clara eoriunda da Colômbia e
México, onde a sua composição especial e as suas propriedades benéficas para a condição
física foram detectadas já há centenas de anos.
Durante séculos as sementes nutritivas da chia formaram o alimento base dos Índios
indígenas do sudoeste da América.
Chia é a palavra Maia para designar força.
As sementes eram utilizadas por estas culturas como alimento de mega-energia.
Os mexicanos costumam dizer que uma colher das sementes é o suficiente para
sustentar uma pessoa por 24 horas.
E isto tudo porque elas possuem cinco vezes mais cálcio que o leite, duas vezes mais
potássio que as bananas, três vezes mais anti-oxidantes que as famosas uvas-do-monte,
três vezes mais ferro que o espinafre.
São uma fonte de proteína completa, fornecendo todos os aminoácidos essenciais de
que precisamos.
São também mais ricas em fibras do que a aveia e contem mais Omega 3 que a linhaça.
Hoje em dia, estudos científicos provam que a chia proporciona grande número de
nutrientes interessantes, de tal modo que esta semente mágica é momentaneamente
redescoberta pelos nutricionistas e está ganhando rapidamente uma enorme popularidade,
quer seja na alimentação humana ou na dos animais.
Atualmente a chia é cultivada para fins comerciais no México, Argentina, Bolívia, Peru
e Colômbia.
A composição da chia pode ser comparada com a de outras sementes mucilaginosas como a
linhaça e o sílio. Ao contrário da linhaça, a chia não contém fatores anti-nutricionais,
fatores que no caso da linhaça limitam a sua utilização sem tratamento de calor preliminar.
Fatores anti-nutricionais são os glicósidos cianogenicos ou linatina, que são antagonistas
da vitamina B6, o que na realidade quer dizer que impedem a vitamina B6 de atuar no
metabolismo. Além disso, a chia tem um sabor muito mais agradável do que a linhaça de
tal modo que os pássaros a ingerem com mais apetite.
A chia contém não menos do que 23 % de ácidos gordos poli insaturados, dos quais 18 % sob
forma de ácido linoleico. Com isso é a semente com o mais alto teor de ácidos gordos Omega 3
no mundo vegetal. Os ácidos gordos Omega 3 são ácidos gordos absolutamente indispensáveis
para o Homem e para os animais; entre outros aumentam a resistência contra doenças e têm
propriedades anti inflamatórias. Além disso o óleo da chia é rico em antioxidantes naturais
(e.o. ácido clorogénico e ácido cafeico). Assim, o óleo da chia tem uma forte atividade
antioxidante e impede a oxidação das gorduras (= ranço). Isto explica a razão pela qual os
ácidos gordos Omega 3 administrados através da chia são extremamente estáveis e podem
ser conservados durante muito, contrastando com o que se passa com a maior parte
das outras fontes de Omega 3.
A chia pertence, exatamente como o psílio e a linhaça, às sementes mucilaginosas.
Estas sementes são de fato ricas em mucopolis-sacarídeos e constituem uma excelente fonte
de fibras alimentares solúveis e insolúveis. São os mucopolissacarídeos solúveis que formam
um gel mucoso incolor à superfície das sementes, quando entram em contato com a água.
Quando se mete um punhado de sementes de chia num copo de água, constata-se que após
alguns minutos o copo está cheio com um tipo de gel pectinoso.
Estas mucilagens são benéficas para os intestinos. Em primeiro lugar podem fixar até 12
vezes o seu peso em água, o que faz que melhorem a qualidade e a consistência das fezes em
caso de diarréia. Além disso estes mucopolissacarídeos constituem também uma camada
de mucilagem na parede intestinal de tal modo que as bactérias patogénicas são travadas nos
seus efeitos danificadores e que as mucosas do intestino possam recuperar mais depressa.
A chia é também uma boa fonte de proteínas de alta qualidade com um excelente padrão
de aminoácidos. Também é rica em minerais (e.o. 0,65 % de cálcio, um valor muito mais
alto do que na maior parte das outras sementes). Fonte Web
DE PUDIM DE CHIA
1 ½ xícara de água
½ xícara de semente de chia
Misture estes dois ingredientes, deixe crescer por alguns minutos e depois acrescente:
2/3 de xícara de leite de nozes ou amêndoas (bata as nozes no liquidificador com água e
você terá um delicioso leite).
2 colheres de sopa de óleo de coco.
2 colheres de sopa de mel
6 colheres de sopa de suco de laranja
1 colher pequena de baunilha
Caso deseje pode acrescentar coco ralado fresco.
Outra forma simples de usar chia diariamente.
Coloque algumas colheres de chia em um potezinho e cubra-o fartamente com água.
Deixe a chia inchar, tampe o pote, guarde na geladeira e pode usá-la no seu suco, na sopa,
em cereais, como desejar…
Fonte: http://terapiasnamaste.blogspot.com.br/

Quinua – a mãe dos seres humanos – é o melhor alimento do mundo

Autor: eroni

O alimento que poderia aliviar a fome e restaurar a saúde do mundo.

QUINUA (Chenopodium quinoa)

A quinua é um pseudo-cereal da família das Quenopodiáceas, domesticada e cultivada há 5.800 anos nos Andes e tem diferentes centros de domesticação no Peru, Bolívia e Equador. Também chamada quínua e quinoa, o nome quinua é de origem quéchua, o idioma falado pelos antigos incas.

Conhecida como o trigo dos incas, para quem a quinua era considerada uma planta sagrada, um símbolo religioso, os incas – que a cultivavam há 8 mil anos – a chamavam de Grano Madre ou Grano de Oro. Com o domínio espanhol, acabou sendo substituída por alimentos usados pelos colonizadores. Atualmente, a quinua é produzida por mais de 20.000 pequenos produtores, apoiados pela ANAPQUI (Associação Nacional de Produtores de Quinua). Diferentes sites e especialistas ora informam que a quinua é típica da Bolívia, ora que é do Peru, mas admitem que Equador, México e Estados Unidos têm uma pequena produção.

Os produtores pretendem alcançar um estágio de produção que permita grandes exportações e viabilize uma divulgação maior dos atributos desse alimento. As sementes da quinua representaram, no passado, a base da alimentação da família boliviana, e ainda constituem um componente fundamental à dieta dos camponeses andinos.

A ciência tem se esforçado para comprovar muitos saberes intuitivos de nossos antepassados. A quinua, já foi até apelidada de mãe dos seres humanos, por conter todos os aminoácidos essenciais. Por essa razão, é vista como uma alternativa alimentar altamente nutricional, e ecologicamente viável. Ela produz uma semente pequena, comestível, rica em proteínas, aminoácidos, vitaminas e minerais, bons carboidratos (fontes de energia) e fibras.

Para a FAO (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação), a quinua é um dos raros vegetais completos que apresentam um balanço de aminoácidos adequado à nutrição humana.

A quinua é avaliada pela Academia de Ciências dos Estados Unidos como o melhor alimento de origem vegetal para consumo humano. Seu valor nutritivo é tão grande que foi selecionado pela Nasa para integrar a dieta dos astronautas em vôos de longa duração.

A quinua pode ser encontrada no Brasil, importada da Bolívia, mas já vem sendo cultivada na região do Cerrado, no Distrito Federal, e tem sido estudada por pesquisadores da Embrapa. Planta exótica, que chega a medir 2,5 metros de altura, possui uma enorme plumagem, encontrada nas cores preta, vermelha, roxo, alaranjada, branca, amarela e verde, enfeitando os campos. A espécie mais estudada até hoje é a quinua real, também a mais comercializada. Bastante resistente, a planta se adapta a diversas condições de latitude e altitude, e pode crescer em zonas áridas e semi-áridas. A quinua real é só uma das muitas espécies do vegetal, que conta com mais de 2 mil variedades.

Na Alimentação

As sementes são geralmente consumidas em sopas, temperadas com sal ou açúcar, cozidas em panelas de barro, com pimentão e queijo ou como bebida refrescante. As folhas tenras como verduras, e nas sopas. Quinua é indicada para os que adotam uma dieta vegetariana, além de ser excelente para crianças, atletas, grávidas e lactantes. Como não contém glúten, pode ser consumida por aqueles que têm intolerância a essa proteína, servindo como substituto do trigo em receitas de pães, macarrão, biscoitos e farinhas. A quinua é encontrada em grãos, em flocos, e na forma de farinha; podendo ser adicionada às sopas, saladas, bolos, bolinhos e vitaminas com frutas. Dá ótimos resultados tanto em receitas doces quanto em salgadas.

Gillian Mc Keith, autora do livro “Você é o que você come”, afirma que a quinua “é uma proteína completa e mais fácil de digerir do que a proteína da carne”. O médico nutrólogo, Edson Credidio, diz que a quinua “é comparada ao leite materno e apresenta praticamente o dobro de proteínas das encontradas no milho e no arroz”.

Na Saúde

A QUINUA É INDICADA NO TRATAMENTO DA ANEMIA, PROBLEMAS URINÁRIOS E DE FÍGADO, TUBERCULOSE, DESNUTRIÇÃO CRÔNICA E OSTEOPOROSE. ATUA NA REDUÇÃO DE DANOS GASTRINTESTINAIS, NA MELHORA DA IMUNIDADE, NA REGULAÇÃO DAS FUNÇÕES CARDIOVASCULARES E COMO NORMALIZADOR DA PRÓSTATA E ÓRGÃOS REPRODUTORES MASCULINOS. SEU CONSUMO É INDICADO PARA VEGETARIANOS, DIABÉTICOS, GRÁVIDAS E LACTANTES. FUNCIONA, AINDA COMO LAXANTE, AINTIESPASMÓDICO E DIURÉTICO.

A quinua contém mais lisina que a soja, o milho, o trigo e o leite, e, por isso, é indicada para crianças e adolescentes em fase de crescimento. Está, também, relacionada ao desenvolvimento da inteligência, rapidez de reflexos e outras funções como a memória e aprendizagem.

Vale ressaltar que a Quinua Real tem boas doses de triptofano, outro aminoácido importante, porque está ligado à produção de serotonina na massa cinzenta. Como a substância tem a ver com a sensação de ânimo e de bom humor, é provável que o consumo regular da Quinua Real ajude a espantar a fadiga e a depressão. Contém ainda 204,2 mg/g de magnésio tranqüilizante natural, que mantém o equilíbrio energético nos neurônios e atua sobre a transmissão nervosa, mantendo o sistema nervoso equilibrado.
Os pesquisadores estão tentando descobrir se a quinua também possui os chamados fitoestrógenos, que atuam no organismo como certos hormônios que teriam a função de amenizar os efeitos da menopausa. Algumas pesquisas realizadas com mulheres nativas da região do plantio, e que têm na quinua sua principal fonte de alimentação, mostraram que elas são menos vulneráveis à osteosporose, embora ainda não haja estudos que comprovem a presença da substância no cereal.

Além dos benefícios às mulheres e crianças, os atletas têm neste alimento um grande aliado. A lisina está relacionada ao desenvolvimento da inteligência, dos reflexos e da capacidade de aprendizagem e memória. Para os atletas, o seu valor protéico ajuda na recuperação dos músculos, responsáveis pelo rendimento e a elasticidade das fibras musculares, auxiliando na recuperação de tecidos e células, e ainda estimulam a produção de enzimas e hormônios. O fato de conter pouco colesterol e gorduras, mas possuir um alto valor calórico, faz da quinua a alimentação perfeita para o corpo manter-se nutrido durante exercícios pesados ou dietas intensivas. Como favorece a elasticidade das fibras musculares, é recomendada também a pacientes portadores de torcicolos e contusões.

Pode-se acrescentar, ainda, a PREVENÇÃO DE CÂNCER DE MAMA, OSTEOPOROSE E PROBLEMAS CARDÍACOS, MELHORA DA IMUNIDADE, DA APRENDIZAGEM E DA MEMÓRIA E RECUPERAÇÃO DE TECIDOS, ENTRE MUITOS OUTROS. POR ISSO, ELA É UTILIZADA EM TRATAMENTOS DE CÂNCER.

Na América do Sul, a saponina removida da quinua é usada como detergente para lavar roupa e como um anti-séptico para tratar feridas na pele.

A quinua tem um excepcional valor nutritivo, com grandes quantidades de carboidratos, proteínas, e um excelente balanço de aminoácidos essenciais. Ela detém todos os atributos do arroz, podendo, neste caso, tornar-se uma alternativa alimentar.

“O valor protéico da quinua real é superior ao dos demais cereais. As sementes contêm 23% de proteínas e grande quantidade de vitaminas, tais como B1, B2, B3, B6, C e E. É rica também em minerais como o ferro (9,5 mg/100 g), o fósforo (286 mg/100 g) e o cálcio (112 mg/100 g). Da mesma forma, o valor calórico está calculado em 350 Cal/100gr, o que faz da quinua um alimento apropriado para áreas altas e épocas mais frias.”

“A composição de aminoácidos essenciais confere à planta um elevado valor biológico, comparável, somente, ao leite e ao ovo. Este valor biológico é medido segundo a quantidade de proteínas absorvidas pelo organismo por cada 100g do produto ingerido. O índice da quinua é igual a 75 (por 100 g), do ovo 95, do leite 72, do trigo 60, e do milho 44. Essas proteínas atuam para um melhor rendimento e elasticidade das fibras musculares que auxiliam na recuperação de tecidos e células e estimulam a produção de hormônios e enzimas.”

A quinua real é considerada a variedade mais rica da quinua. É rica em proteínas (23% de sua composição). Possui todos os vinte aminoácidos de que o corpo necessita, incluindo, os dez essenciais que não são produzidos por nosso organismo (como a metionina e a lisina), que melhora a imunidade, a capacidade de aprendizagem e a memória. Nenhum alimento de origem vegetal tem tanta proteína.

Se considerarmos apenas o valor protéico, a quinua mostra-se ainda mais vantajosa do que outros alimentos ricos em proteína. Pesquisas recentes evidenciam que tem mais potencial ao crescimento humano do que o leite, por exemplo. O valor protéico mais alto (95) corresponde ao do ovo, o que significa que a cada 100g de proteínas ingeridas, 95 são assimiladas. Na quinua, o índice é de 75; a carne tem 60; o leite, 72; o trigo, 60, e o milho, 44. A quinua real ainda é rica em ômega 3 e 6, vitaminas A, B6 e B1 (e, em menores quantidades, as E e C) e minerais como o ferro, o fósforo e o cálcio. É considerada melhor do que a soja por seu equilíbrio nutricional. Tem baixo índice de colesterol e o seu valor calórico é alto: 347kcal para cada 100g, o que a faz ser indicada para atletas. (Gabriela Marques, médica ortomolecular)

Informações Práticas

A Quinua Real (empresa) recebe o cereal já totalmente pronto no Brasil e, da mesma forma, a distribue. Mas o grão pode ser consumido de maneiras diferentes, que variam de acordo com a criatividade de cada um.

A quinua pode ser preparada de muitas maneiras. Pode ser cozida da mesma forma que o arroz, com o grão inteiro ou moído, doce ou salgado, frio ou quente, como comida ou bebida.

Ao ser utilizada como arroz, deve-se colocar o sal sempre depois de cozido. Desta forma, pode tornar-se um saboroso quinua frito, quinua com leite (como se fosse arroz com leite) ou sopa de quinua.

A quinua em flocos pode ser consumida como qualquer outro cereal, com musli, com iogurtes ou em vitaminas feitas em casa.

Pode ser preparada como o arroz (doce ou salgado): leva-se ao fogo por 15 minutos, com o dobro da quantidade de água, e o tempero fica por sua conta.

Pode ser usado como substituto do trigo na preparação de um tabule.

Antes de cozinhar, a quinua deve ser lavada para tirar o sabor amargo da sua camada externa de pó resinoso, chamada saponina. Ao lavar os grãos na água, a saponina forma “espuma”.

Comparativo com outros alimentos:

Componente Quinua Arroz Milho Trigo Aveia Centeio Cevada
Proteína
g/100g
14.16 7.69 10.67 11.72 8.20 10.40 9.50
Gordura
g/100g
5.73 2.20 4.30 2.08 5.60 1.20 1.60
Carboidrato
g/100g
59.85 81.30 69.58 70.75 62.60 68.90 73.80
Fibra g/100g 5.10 0.05 1.68 2.65 8.70 3.40 1.70
Ferro mg/g 10.90 2.60 0 3.30 5.30 5.80 3.70
Cálcio mg/g 66.60 23 150 43.70 88 54 38

 

Amarantos a grãos

Classificação Botânica 
Existem três espécies de Amaranthus a grãos. São o Amaranthus cruentus, Amaranthus hypocondriacus e Amaranthus caudatus.
História 
 No início dos anos 1970, John Robinson, expert em nutrição da Universidade de Michigan, tomando consciência do empobrecimento crescente de nossas substâncias alimentares, se empreendeu a estudar sistematicamente os alimentos tradicionais de todos os povos do planeta. Ele comparou descobertas arqueológicas relativas aos modos alimentares pré-históricos de uma parte, com os modos alimentares de alguns povos que praticam ainda hoje a caça e a colheita de outra parte. Ele pôde assim, mostrar que a diversidade alimentar se reduzia consideravelmente quando um povo de colhedores-caçadores adotava um modo de vida mais sedentário se orientando para a agricultura. Essa diversidade se reduzia ainda mais consideravelmente, quando a orientação da agricultura passava da substância à produção intensiva de algumas espécies alimentares, tais como o trigo, o milho, o arroz, destinados aos grandes mercados urbanos. 
Convencido que essa perda da diversidade prejudicava a saúde humana, John Robinson partiu à procura de alimentos tradicionais que pudessem ser reintegrados à nutrição “moderna”. Depois de anos de pesquisa, ele concluiu que o Amaranto, essa planta Americana muito pouco conhecida, era uma das trinta espécies alimentares que oferecia as maiores promessas para o melhoramento da alimentação humana. Enquanto as grandes firmas alimentares se faziam de surdas, ele apresentou, em 1972, seu dossiê sobre o Amaranto a Robert Rodale, pioneiro nos EUA da agricultura orgânica e editor da revista Organic Gardening.
 
 
Robert Rodale percebeu o imenso potencial do Amaranto no plano nutricional e, em 1974, ele fez do desenvolvimento do Amaranto o objetivo prioritário de seu centro de pesquisas na Pensilvânia. Depois do Instituto Rodale, a Academia Nacional de Ciências nos EUA, destacou essa planta, mais particularmente na sua obra publicada em 1989 “Lost Crops of the Incas”. Essa obra coletiva resumia as pesquisas de mais de 600 pesquisadores de 56 países sobre espécies alimentares tradicionais muito prometedoras para o futuro nutricional da humanidade. 
 Os pesquisadores do Instituto Rodale tinham muitas questões. Como o Amaranto era tradicionalmente cultivado e preparado? Qual era a extensão de seu cultivo? O que restava como diversidade genética nas diversas espécies? Qual era seu valor nutritivo? De que maneira se poderia integrá-lo à alimentação moderna? 

Duas espécies de Amarantos, Amaranthus cruentus e Amaranthus hypocondriacus, foram cultivadas na América Central enquanto os povos da América Latina desenvolviam o cultivo de uma só espécie, o Amaranthus caudatus.

O Amaranto é cultivado ainda hoje na América Central: assim, podemos encontrá-lo sendo cuidado por alguns jardineiros nas famosas “chinampas”, os jardins flutuantes do México que são protegidos pelo Estado Mexicano. Esses magníficos canais constituem os vestígios de uma rede gigante que fornecia antigamente alimentos a 200 000 pessoas na capital Asteca. Na época da invasão européia do México o Amaranto, portando o nome de “huautli” na língua Nahuatl, constituía uma das cinco maiores colheitas como tributo através 17 províncias do império. As quatro outras colheiras eram o milho, a pimenta, o feijão e uma espécie de sálvia “chia”, Salvia hispanica, cujas sementes muito nutritivas eram utilizadas para a confecção de bebidas refrescantes.

A cultura do Amaranto eleva-se a um passado longínquo nessa terra, pois as sementes de Amarantos cultivadas foram descobertas nas cavernas de Tehuacan Puebla no México e datadas a 5500 anos. Essas descobertas arqueológicas podem ser colocadas em dúvida quanto à precisão exata de sua escala cronológica. Apesar disso, elas permitem apreciar nas suas grandes linhas, a evolução dos hábitos alimentares dos povos. É nessa época que certos povos migrantes começaram a consagrar uma parte de sua energia, antes orientada quase exclusivamente à caça e à colheita, a certas práticas de jardinagem.

Estima-se que há 5000 anos, esses povos começaram a dominar a cultura de abóboras, de pimentas e de amarantos. Essas culturas constituíam por volta de 6% de sua alimentação. O legado da agricultura, 1500 anos mais tarde, era de mais ou menos 14%, graças à domesticação progressiva do milho, dos feijões e das cabaceiras, e graças à extensão da cultura do amaranto numa maior estação de crescimento, isto é, a primavera.

 

A cultura do Amaranto teve seu apogeu durante o Império Asteca. Para o povo Asteca, o Amaranto possuía valores nutricionais, terapêuticos e rituais. 
No plano alimentar, o Amaranto entrava na constituição de numerosas iguarias: “huauquiltamalli”, um “tamale” elaborado a partir de sementes de Amarantos sopradas e moídas em farinha; “cauhquilmolli”, um molho delicioso preparado à partir de folhas de Amaranto; “tzaollaxcalli”, tortilhas de sementes de Amarantos sopradas e misturadas à um xarope elaborado à partir da seiva de um cactus. Nas feiras, bebidas à base de sementes de Amarantos moídas e sopradas eram também oferecidas à venda.  No plano terapêutico, os curandeiros Astecas utilizavam tanto as sementes quanto as folhas dos Amarantos para remediar um certo número de problemas da saúde. 
No planto ritual, o Amaranto era a planta sagrada por excelência. Durante festas religiosas, figurinhas elaboradas a partir da pasta de Amaranto eram oferecidas aos deuses do panteão Asteca e eram às vezes consumidas durante alguns rituais religiosos lembrando o rito católico da eucaristia. Quando os recém nascidos eram, de maneira ritual, banhados e nomeados, quatro dias após o nascimento, recebiam reproduções miniaturas, elaboradas a partir dessa mesma pasta de grãos de Amarantos, de seus futuros atributos: arco, flechas ou instrumentos de cozinha. Certas figurinhas eram também utilizadas nos rituais de cura.

O valor sagrado do Amaranto é sem dúvida satisfatório para explicar que sua cultura foi objeto de repressões diretas ou indiretas, da parte da cristandade espanhola desejosa de extirpar a antiga religião herética.

Os testemunhos de padres católicos da época mostram como eles eram impressionados com esse ritual essencial da religião Asteca que era a divisão dessas figurinhas consagradas pelo povo Asteca convencidos que consumiam a carne e os ossos dos deuses. Em 1525, a Igreja católica se lançou numa campanha de destruição sistemática de todas as antigas práticas religiosas pré-colombianas e, seis anos mais tarde, um bispo transbordando de zelo afirmou ter destruído 20 000 ídolos e 500 lugares de culto.

Os que ainda praticavam a religião Asteca eram chicoteados ou obrigados ao trabalho forçado nos mosteiros, ou executados na hora. Quando alguns jardineiros afrontavam a interdição de plantar Amaranto nos seus jardins, chegavam a cortar suas mãos! A população Indígena avaliada em 11 milhões de habitantes, em 1519 foi reduzida a 6,5 milhões em 1540, vítima de uma exploração brutal e de doenças Européias.

Algumas narrações históricas ainda fazem menção ao Amaranto em 1577 como uma das quatro maiores plantas alimentícias. Entretanto, quatro séculos mais tarde, o Amaranto desapareceu totalmente da alimentação Mexicana a não ser dos doces chamados “alegria” confeccionados a partir das sementes de Amaranto sopradas e misturadas ao melaço. Esses doces constituem quase o único vestígio, na América central, da epopéia dos Amarantos a grãos, antiga de alguns seis mil anos.

Nos Andes, outro grande centro de domesticação do Amaranto (Amaranthus caudatus), os Índios da cultura Quechua cultivaram a “kiwicha”, esse magnífico Amaranto “rabo de raposa”, bem conhecido dos jardineiros Europeus, desde os tempos antigos. Os Incas, infelizmente, não tinham narrações escritas e nos faltam informações precisas sobre o papel exato do Amaranto nessa civilização.

Parece, entretanto, que essa planta possuía menos valor cultural para os Incas do que para os Astecas. Para os Incas, era de fato o milho que constituía o alimento ritual enquanto a quinoa constituía o alimento de base. Apesar disso, a cultura da Kiwicha continuou até os nossos dias, em particular para os Índios que vivem nas altas planícies ou em algumas florestas tropicais. Assim, mesmo se o Amaranto é pouco cultivado, parece que sua diversidade genética é relativamente intacta na América Latina.

Nas altas planícies, os camponeses Quechua cultivam geralmente o Amaranto em associação com outras plantas tais como o milho ou a quinoa, e isso principalmente numa zona montanhosa situada entre 2700 m e 3500 m de altitude. Há muitos séculos os Quechua praticam a associação de culturas segundo modalidades muito sofisticadas. Essas formas de cultivo protegem as plantas contra os desequilíbrios e os predadores.

Quanto ao modo de preparação do Amaranto, as famílias Quechua confeccionam, assim como os povos Astecas ou seus descendentes, doces elaborados a partir das sementes sopradas misturadas ao melaço que eles chamam “turrones”.

Os camponeses às vezes consomem diretamente essas sementes sopradas e eles consideram que elas constituem um tônico para pessoas idosas. Para o café da manhã, eles preparam uma farinha a partir dessas sementes sopradas que eles chamam “mas’ka”; eles confeccionam também, à partir de sementes fermentadas, “chicha”, uma cerveja consumida em festas ou oferecidas ritualmente à Terra Mãe.

No Peru, na região de Huancavalica, os camponeses usam o caule do Amaranto por causa de seu grande teor em cálcio. Depois de terem colhido as panículas das sementes, eles queimam o caule, recolhem as cinzas, misturam com água destinada a deixar o milho de molho antes de se preparar a pasta para os “tamale”. De fato, quando o milho foi introduzido em diversas regiões do planeta, certos povos se tornaram muito dependentes e consumiam esse cereal de forma abundante e sem discriminação quanto às deficiências eventuais dessa planta no plano alimentício. Esses povos, que tinham adotado o milho como um “mono-alimento”, se tornaram predispostos ao alcance da pelagra, doença que provoca lesões na pele e uma degeneração tanto no plano físico quanto no plano mental.

Entretanto, nas Américas, berço do desenvolvimento do milho, não havia pelagra. As culturas pretendidas primitivas do Novo Mundo haviam desenvolvido uma técnica sofisticada e antecipado as descobertas da ciência moderna. Os povos Maias, Astecas e os povos da América do Norte, haviam percebido de forma intuitiva, que o cozimento do milho numa água contendo cinzas, melhorava esse alimento enquanto fonte de vitaminas. O milho reagia quimicamente com o cálcio das cinzas a fim de tornar alguns aminoácidos mais disponíveis para o corpo humano. O cálcio liberava a niacina, que era ligada quimicamente e permitia ao corpo humano de integrá-la. É assim que o “posole” é ainda hoje confeccionado e esse tratamento alcalinizante do milho é ainda bem vivo no Peru na utilização de cinzas dos caules de Amaranto para a confecção de “tamales”.

Os Quechuas do sul do Peru e do Equador utilizam também os Amarantos selvagens e têm utilizado suas flores de cores vivas para práticas rituais ou terapêuticas. Assim, na região de Cuzco, as flores de airampo (Amaranthus hybridus) são utilizadas em infusão para remediar as dores de dentes e as febres. Durante certos festivais, as flores vermelhas dos Amarantos são usadas para colorir a pele das mulheres Quechua ou para colorir a cerveja “chicha”. Esse uso da tintura é também praticado pelo povo Hopi do sudoeste dos Estados Unidos. Os Hopis utilizam uma variedade de Amaranto, denominada justamente hoje em dia Hopi Red Dye, para tingir um pão chamado “piki”.

É no lado oposto ao país Hopi, quer dizer na Índia, no Nepal e na Mongólia, que se encontra, sobretudo hoje em dia, Amarantos a grãos. De fato, enquanto na América Latina e na América Central, o Amaranto a grãos tinha quase caído em esquecimento na história, os povos o haviam acolhido como um don do céu: os Hindus o nomearam, “rajgira”, a semente dos reis e “ramdana”, a semente enviada pelos deuses. O Amaranto a grãos é tão implantado em todas regiões do Himalaia que os ethnobotanistas são capazes de determinar a época na qual ela foi introduzida. Em certas regiões da média montanha do noroeste da Índia, os Amarantos revestem às vezes mais da metade das terras não irrigadas com suas cores cintilantes. Os Gurung, assim como outras etnias do Nepal os adotaram plenamente em seu alto vale, assim como um grande número de povos do Bhoutan, nas colinas da Índia do Sul, nas planícies da Mongólia e nas montanhas da Etiópia.

Os povos do Himalaia fazem estourar as sementes que eles misturam com mel a fim de confeccionar deliciosas pastelarias chamadas “laddoos” assim como os Maias e os Astecas antigamente.

Daniel K. Early, professor de antropologia da Universidade de Oregon, é um dos pioneiros na pesquisa sobre Amaranto. Após ter estudado, em 1975, alguns terrenos do México e, em 1985 alguns países da América Latina nos quais o Amaranto se desenvolve ainda, ele dirigiu seus passos em direção às montanhas do Nepal, no seio das quais os Amarantos resplandeciam ha séculos e talvez mesmo milênios. Ele estudou as formas de cultivo e também as modalidades culinárias e as aplicações terapêuticas próprias dessa planta. Ele descobriu, um dia, bebendo chá com um “sherpa”, que esse fazendeiro utilizava os grãos de Amarantos para remediar um certo número de desequilíbrios da saúde, em particular as dores de estômago chamadas “gano”.

No dia seguinte, numa visita a um monge de um templo budista, ele verificou que os grãos de amarantos entravam também na confecção de pílulas destinadas a diminuir certos problemas de saúde, inclusive essas mesmas dores de estômago. Ele ficou entusiasmado com essa descoberta porque ela confirmava algumas utilizações terapêuticas dos Amarantos no Peru, mas, sobretudo, porque ela confirmava as descobertas recentes de um pesquisador quanto à forte concentração de vitamina E nos embriões das sementes de Amarantos.

A vitamina E é reputada por fortificar o sistema imunitário e a sabedoria dos antigos povos é revelada na modalidade culinária ancestral mais usada para os Amarantos nos três continentes, isto é, soprar as sementes. Essa técnica é também utilizada para a confecção da pipoca. O sopro, na verdade preserva a integridade total do embrião nas sementes de Amaranto. Parece ser ainda, segundo as tradições dos camponeses Nepali, Mexicanos e Peruvianos, a primeira fase ideal no cozimento do Amaranto. De fato, quando o Amaranto é cozido sem sopro, ele pode manifestar um sabor um pouco amargo.

O tempo todo, o Amaranto foi considerado como uma planta sagrada e uma planta medicinal. Ela constitui, na farmacopéia dos povos da América do Norte, um remédio soberano para todos os problemas de diarréias, de disenterias e de hemorragias tanto internas quanto externas. O Amaranto está presente em numerosas legendas e em numerosos rituais de culturas da Índia, da China e do Japão: ela é reputada por conceder saúde e longevidade. Para os Gregos, o Amaranto (do grego amaranthos, que não murcha) é o símbolo da imortalidade. Os guerreiros que com ele se coroavam a cabeça eram reputados por se tornarem invisíveis! Encontra-se mesmo na “Guirlanda de Julie” da qual ela gaba também a beleza em um curto madrigal:
“Eu sou a flor do amor que chamam de Amaranto
E que vem até Julie adorar seus belos olhos
Rosas, retirem-se, eu tenho o nome do imortal
Só cabe a mim coroar os deuses.”

A epopéia planetária desses Amarantos imortais permanece um pouco misteriosa. Como pode que depois de muitos séculos, a Ásia, e mais particularmente a Índia, seja o centro de cultura dos Amarantos a grãos?

Numerosos pesquisadores se inclinaram sobre esse enigma. Parece mais que provável que os centros de origem genética dos Amarantos a grãos (Amaranthus caudatus, Amaranthus hypocondriacus et Amaranthus cruentus) se situem nas Américas.

 
 
 
Nutrição 
 
O grão de amaranto contém um grande teor de proteínas, de 16 a 18 %, então muito mais que os cereais da família das gramineas. Entretanto, esse teor protéico é um aspecto muito mais essencial para os países do Terceiro Mundo, por causa de seus crescimentos demográficos e da desertificação de numerosos territórios, do que para os países ricos que sofrem freqüentemente de uma alimentação um pouco protéica demais.

Em compensação, a proteína da semente de amaranto é uma das mais equilibradas que se conhece e esse único aspecto seria suficiente para considerar o amaranto como uma das plantas mais prometedoras para a alimentação do homem. Atribui-se à proteína ideal, (segundo as normas da FAO) o valor 100 e é muito interessante comparar os valores das proteínas mais utilizadas: a proteína da semente do amaranto atinge um valor de 75 (e segundo alguns autores 87), a do milho um valor de 44, a do trigo um valor de 60, a da soja um valor de 68 e a do leite da vaca um valor de 72.

Assim, as proteínas dos cereais utilizados no Ocidente são muito pobres em lisina, um dos aminoácidos essenciais à saúde humana: a semente de amaranto contém duas vezes mais que o trigo e três vezes mais que o milho. A Academia Nacional de Ciências nos EUA estimou que a mistura de farinha de milho e de farinha de amaranto permitia beneficiar da proteína ideal com um valor 100.

O valor nutritivo dos amarantos a grãos é uma das finalidades essenciais do repertório, da avaliação e da melhora de milhares de cultivos utilizados por numerosos povos do planeta. Assim, em Shimla, na Índia, os pesquisadores descobriram variedades de amarantos contendo mais de 22% de proteínas nas sementes e mais de 7% de lisina na proteína, enquanto a média é de 5,5%. Pode-se afirmar novamente que essa quantidade de lisina na proteína das sementes de amaranto é um aspecto essencial para o equilíbrio alimentar dos países do Terceiro Mundo, cujos alimentos de base são freqüentemente cereais.

As populações dos países ricos que consumem muita carne aí encontram a quantidade de lisina necessária à saúde humana.

Todavia, parece extremamente importante propor a esses países ricos cereais mais equilibrados que permitiriam talvez diminuir o consumo às vezes excessivo de carne num mundo que sofre cada vez mais de desnutrição. Além da sua qualidade protéica, a semente de amaranto contém muito cálcio, fósforo, ferro, potássio, zinco, vitamina E e vitamina B.

É também essa riqueza nutricional que destaca os amarantos a folhas dos outros legumes a folhas. As folhas de amaranto são, de fato, uma fonte excelente de caroteno, de ferro, de cálcio, de proteína, de vitamina C e de outros oligo-elementos. A título de comparação, há, por exemplo, nas folhas de amarantos a grãos, três vezes mais de vitamina C, 10 vezes mais de caroteno, 15 vezes mais de ferro, 40 vezes mais de cálcio do que nos tomates.

As folhas de amaranto contêm três vezes mais vitamina C, três vezes mais cálcio e três vezes mais niacina do que as folhas de espinafre.

Tomemos ainda o exemplo do Amaranthus palmeri, muito consumido pelos povos Yaqui, Papago e Pima do deserto de Sonora na América. Ele contém 3 vezes mais calorias, 18 vezes mais vitamina A, 13 vezes mais vitamina C, 20 vezes mais cálcio e 7 vezes mais ferro do que as folhas de alface!

Os amarantos, que sejam a grãos ou a folhas, constituem verdadeiras centrais solares. Elas fazem parte das plantas privilegiadas do planeta que utilizam um modo de fotossíntese chamada C4.

Esse modo de fotossíntese é particularmente eficaz em todas as condições climáticas de seca, extremo calor, e de grande intensidade solar. Ele permite a essas plantas de converter duas vezes mais de luz solar em “crescimento” do que as outras plantas utilizando um modo de fotossíntese C3, e isso com a mesma quantidade de água. Sua produtividade pode variar consideravelmente em função das variedades, dos climas, da riqueza do solo, etc… Elas podem produzir entre 500kg e 5 toneladas de grãos por hectare.

As variedades introduzidas nos Estados Unidos pelo Instituto Rodale e algumas universidades, como Plainsman e K432, são reputadas por produzirem em média de 2 a 2,5 toneladas por hectare. Rendimentos atingindo 6 toneladas por hectare foram até obtidos em alguns terrenos de experimentações.

Algumas pesquisas realizadas na China colocaram em evidência que o amaranto consumia 40% menos água do que o milho semeado no mesmo momento. A fonte 1024 do Instituto Rodale enviava suas raízes à quase 3 metros de profundidade e seu sistema de raízes atingia perto de 200 quilômetros de desenvolvimento!

As sementes de amaranto são excessivamente minúsculas porque um grama contém em média 1000, mas pode conter até 3000. Não é raro ter magníficas panículas contendo mais de 100 000 sementes. Diz-se mesmo que é possível recensear em algumas plantas 450 000 sementes!

Isso não é surpreendente quando se vê que semeaduras espontâneas de amarantos a grãos que crescem em isolamento, sem serem incomodadas por outras plantas, podem atingir três metros de altura e uma envergadura de mais de um metro, com os caules fazendo 5 cm de diâmetro na base.
Nós só podemos admirar o gênio dos povos das montanhas ou dos desertos que durante milênios transformaram e melhoraram os amarantos selvagens, a caules e inflorescências picantes e a sementes amargas em magníficas panículas à inflorescências suaves e sementes saborosas, resplandecentes de todas as cores do arco íris, que são uma homenagem à beleza, à verdadeira nutrição e à sabedoria de co-evolução do homem com seu meio ambiente.

Fonte: http://www.kokopelli-seed-foundation.com/