Águas Termais e Águas Minerais Naturais – Crenoterapia, Terapia Termal e Termalismo

Termalismo

Com a descoberta de que diferentes composições (e origens das águas) podem exercer efeitos benéficos na promoção e recuperação da saúde, diversos profissionais passaram a redescobrir, à luz da ciência contemporânea, o uso terapêutico das águas; prática que acompanha a existência humana desde os primórdios.

A. Terminologias usadas e seus significados:

I. Balneologia – Estudo dos banhos.

II. Balneário – Local onde se pratica balneoterapia.

III. Balneoterapia – Tratamento com água mineral e termal (mais amplo).

IV. Crenologia – Crenoterapia – Estudo das águas minerais.

Consiste na indicação do uso de águas minerais com finalidade terapêutica atuando de maneira complementar aos

demais tratamentos de saúde.

V. Hidrologia Médica – Tratamento com água mineral e termal.

VI. Termalismo – Diferentes maneiras de utilização da água mineral e sua aplicação em tratamento de saúde (PNPIC).

VII. Crenotécnicas – São técnicas utilizadas na aplicação da Crenoterapia.

B. Classificação das águas quanto à composição química:

I. Oligominerais – Nitradas

II. Radíferas – Cloretadas

III. Alcalinas – bicarbonatadas e Ferruginosas

IV. Alcalinas terrosas – Radioativas

V. Sulfatadas – Toriativas

VI. Sulfurosas – Carbogasosas

C. Quanto ao uso terapêutico

• OLIGOMINERAL

Por sua suave radioatividade estimula o funcionamento do pâncreas na diabete. Ação em transtornos gástricos, hipercloridia, acidez em digestões pesadas e em processos funcionais do intestino, aumentando o fluxo dos sulcos intestinais, regulando o peristaltismo e constipação.

• SULFUROSA

Usadas em distúrbios funcionais do fígado, reumatismo, doenças de pele, artrite e inflamações em geral. Benéficas para diabéticos. Sedativo da hipertensão e da excitação neuropsíquica.

• SULFATADA – “Na”

Combate a prisão de ventre, colite e problemas hepáticos.

• IODETADA

Ação na adenóide, inflamações da faringe e insuficiência da tireoide.

• BROMETADA

Combate a insônia, nervosismo, desequilíbrios emocionais, epilepsia e histeria. Sedativa e tranquilizante.

• CÁLCICA

Consolidação de fraturas, redução à sensibilidade em casos de asmas, equizemas, dermatoses e bronquites. Tem ação diurética.

• BICARBONATADA SÓDICA

Ação em casos de cálculos renais, distúrbios gastrointestinais, enfermidades hepáticas, artrite e gota.

• ALCALINA

Ação em casos de úlceras gastroduodenais. Auxilia na eliminação de ácido úrico e cálculos renais.

• SULFATADA

Ação anti-inflamatória e anti-tóxica.

• FERRUGINOSA

Uso em casos de anorexia, diferentes tipos de anemia, parasitose, alergia e acne juvenil. Estimula o apetite.

• FLUORETADA

Mantém a saúde dos dentes.

• MAGNESIANA

Ação em fígado e intestinos, usada em casos de enterocolite crônica e insuficiência hepática.

• RADIOATIVA

Ação funcional das afecções renais e biliares. É diurética e laxante. Favorece a digestão. Indicada contra o reumatismo. Elimina o ácido úrico, diminui a viscosidade do sangue, é estimulante glandular e da sexualidade. Reduz a pressão sanguínea.

• CARBOGASOSA

Diurética e digestiva, ideal para acompanhar as refeições. Rica em sais minerais. Ajuda a repor a perda dos atletas, facilita o trânsito intestinal e estimula o apetite. Ação contra hipertensão arterial, cálculos renais e de vesícula.

a) Classificação das águas quanto aos gases:

I. Fontes Radioativas

a. fortemente radioativas

b. fracamente radioativas

c. radioativas

II. Fontes Toriativas

III. Fontes Sulfurosas

b) Classificação das águas quanto à temperatura:

I. Fontes frias – inferiores a 25ºC

II. Fontes hipotermais – entre 25 e 33ºC

III. Fontes mesotermais – entre 33 e 36ºC

IV. Fontes isotermais – entre 36 e 38ºC

V. Fontes hipertermais – acima de 39ºC

D. Distribuição das águas de acordo com a temperatura na fonte, por estado e município

 

C.1 – ÁGUAS HIPERTERMAIS (temperaturas acima de 38°C)

• Bahia

Caldas do Jorro, Tucano – 48°C

Caldas do Cipó, Itapicuru – 39°C

• Goiás

Caldas Novas, Caldas Novas (vários poços artesianos) – 38ºC a 45°C

Lagoa de Pirapitinga, Caldas Novas (Nove fontes) – 40°C a 57°C

Pousada Rio Quente, Caldas Novas (dezenas de fontes) – 34°C a 43°C

• Mato Grosso

Água Quente do Bom Jesus 44°C

Água Termal Palmeiras (duas fontes) – 39° e 41°C

Águas Quentes de São Vicente (Duas fontes) – 39°C a 42°C

Temas da Baía do Frade, Porto de Fora – 42°C

Termas do Pouro, Jacira – 40°C

(Barra do Garças)

• Minas Gerais

Águas Quentes do Rio Pardo (duas fontes) – 39°C e 40°C

Poços de Caldas, Fontes: Antonio Carlos – 45°C e dos Macacos – 41°C

• Pará

Água Itaituba – 39°C

• Paraná

Terras de Jurema Iretana – 42°C

• Pernambuco

Termas do Salgadinho – 38°C

• Santa Catarina

Balneário de Piratuba – Piratuba – 38°C

Palmitos, Ilha Redonda – 38°C

 

C.2 – ÁGUAS ISORTERMAIS (temperaturas entre 36°C e 38°C)

• Bahia

Mosquete – 37°C

• Pará

Monte Alegre, Monte Alegre – 37,5°C

• Santa Catarina

Chapecó – Chapecó – 36°C

Termas da Guarda – Tubarão – 36°C

Termas de Gravatal – Gravatal 37°C

C.3 – ÁGUAS HIPORTERMAIS

(temperaturas entre 25°C e 33°C)

• Bahia

Fervente de Itapicuru, Itapicuru – 33°C

Moriçoca – 33°C

• Minas Gerais

Araxá, Fonte Andrade Junior – 33,7°C

Termópolis, São Sebastiao do Paraíso – 30°C

• Paraíba

Brejo das Freiras, Cajazeiras (três fontes) – 35,5°C; 34,4°C e 32,8°C

• Paraná

Aguativa, “Termas Aguaquente”, Cornélio Procópio – 31°C

Boa Vista, Guarapuava – 31,5°C

Fonte condoi, Guarapuava – 30,5°C

Nossa Senhora de Lourdes, Guarapuava – 30°C

• Pernambuco

Brejo Madre de Deus, Brejo Madre de Deus (duas fontes) – 29°C e 30°C

• Rio Grande do Sul

 

Fontes Termais do Prado (duas fontes) – 30°C e 31°C

Irai, Irai – 35,5°C

• Santa Catarina

Termas de São Pedro, Urussanga (duas fontes) – 30,2°C e 32,3°C

• São Paulo

Águas de São Pedro (duas fontes) 32,3°C e 30,2°C

3.4 – ÁGUAS MINERAIS FRIAS (temperaturas inferiores a 25°C)

• Bahia

Itaparica, Ilha de Itaparica – Salvador

• Minas Gerais

Águas de Araxá

Águas Quentes de Itabirito, Itabirito

Cambuquira

Caxambu

Fervedouro, Carangola

Lambari

Pocinhos do Rio Verde

Salvaterra, Juiz de Fora

São Lourenço

Serra do Salitre, Patrocínio

• Pará

Água Mineral Caranã, Salinópolis

• Paraíba

Água Ouro fino, Campo Largo

Água Santa Rosa

• Paraná

Barra do Iratim, Palmas

Jacu, Guarapuava

Mangueirinhas, Palmas

Santa Clara, Foz do Iguaçu

• Pernambuco

Água de Caruaru

Águas de Sabá, Custódia

• Rio de Janeiro

Água Avahy Itaperuna – água potável de mesa

Água Corcovado, RJ

Água Meyer, Fonte N. S. da Conceição, RJ – água potável de mesa Água Mineral Iodetada de Pádua, Santo Antonio de Pádua

Água Mineral Nazaré, Engenho Novo – água potável de mesa

Água Santa Cruz – água potável de mesa

Faro, Pádua

Ingá, Niterói

Salutaris, Paraíba do Sul

• Rio Grande do Sul

Água Itaí, Ijuí – água potável de mesa

• São Paulo

Água Boa Vista, Itapira

Água Camanducaia, Monte Alegre do Sul – água potável de mesa

Água Minalba, Campos do Jordão – água potável de mesa

Água Mineral, Peruíbe

Água Palmital, sertãozinho – água potável de mesa

Água Poá, Fonte Áurea, Poá – água potável de mesa

Água Santa Bárbara – água potável de mesa

Águas da Prata

Águas de Ibirá

Águas Virtuosas de Santa Rosa, Cunha

Estância Pilar – água potável de mesa

Fonte Mércia, Valinhos – água potável de mesa

Fonte Nossa Senhora do Rosário, serra Negra – água potável de mesa

Fonte Santo Antonio, serra Negra

7Fonte São Francisco I e II, serra Negra – água potável de mesa

Fonte Sertaneja – água potável de mesa

Lindóia

• Sergipe

Água Mineral Salgado

* Águas Potáveis de mesa – São as águas provenientes de fontes naturais que  não contiverem o teor mínimo de sais minerais em dissolução, estabelecido pelo artigo 35 do Capítulo VII do Código das Águas Minerais.

 

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Propriedade das águas Termais:

As águas são um retrato dos solos por onde passam e algumas vezes brotam de regiões extremamente profundas e de regiões de origens vulcânicas. Arrastam com elas uma infinidade de substâncias.

Quando dissolvidas em quantidades específicas, estas substâncias proporcionam às águas características terapêuticas bem particulares. Para cada tipo de tratamento é necessária uma fonte hidromineral, pois estas fontes possuem características diferentes.
No Brasil, existem diversas fontes hidrominerais com características terapêuticas pelos estados de Minas Gerais, Goiás, São Paulo, Bahia e Santa Catarina. Não se sabe ao certo quando se deu o ínicio o uso das águas com poder de cura. Os primeiros relatos registrados são de 2600 anos atrás na Grécia antiga. Há na mitologia grega, uma lenda que diz que Pégaso, o cavalo alado, teria dado um coice em uma rocha provocando a abertura de uma fenda, de onde teria brotado a primeira água mineral com poder de cura. Apesar do estudo dos gregos, foram os romanos que desenvolveram terapias curativas utilizando os diversos tipos de águas disponíveis nos territórios por eles conquistados. As termas quentes ou frias eram utilizadas para combater o cansaço dos soldados, restaurar as energias, curar feridas e até tratar de alguns males crônicos.

No Brasil, existem relatos de que os índios utilizavam águas com poderes curativos para diversos tipos de tratamentos, inclusive dos males contraídos pelo contato com o homem branco. Porém, foi com a chegada da família imperial portuguesa que aconteceu uma avaliação científica de nossas estâncias hidrominerais e suas reais propriedades terapêuticas.

O uso das águas terapêuticas deve ser controlado, pois o consumo exagerado de algumas destas podem acarretar sérias complicações à saúde. Pensando nisto foi criado um Código de Águas Minerais, que as classifica conforme suas características e uso.

Veja alguns exemplos:

Águas Carbonatadas: Indicadas na dispepsia, gastrites, úlceras gastroduodenais, hepatites, diabetes e moléstias da nutrição.

Águas Cabogasosas: Apropriadas no combate a moléstias dos rins, do fígado, cálculo renal e vesicular além de serem diuréticas.

Águas Bicarbonatadas Mistas: Podem tratar moléstias gastrointestinais, hepatite, dispepsia e mólestias renais.

Águas Iodadas: Indicadas nas arteriosclerose, reumatismo, insuficiência tireoidiana, bócio e mólestias do fígado e do rins.

Águas Sulfurosas: Apropriadas para as moléstias alérgicas, eczemas, artrites e reumatismo.

Águas Ferruginosas: Podem tratar anemias ferroprivas e estimular o metabolismo.
Águas Cloretadas:Indicadas nas moléstias gastrointestinais, gastrites, pancreatites, hepatites e moléstias renais.

Águas Bicarbonatadas Cloretadas: Apropriada para tratar moléstias gastrointestinais, gastrites, pancreatites, hepatites e moléstias renais.

Àguas Bicarbonatadas Cloro-sulfatadas: Podem tratar moléstias do aparelho digestivo, de nutrição, artritismo e eczemas por conterem bicarbonato, cloretos e sulfatos alcalinos.

Águas Sufurosas Bicarbonatadas: Indicadas para moléstias de pele, nas afecções reumáticas de fundo alérgico e atua como estimulante das funções gastrointestinais.

Águas Sulfurosas-bicarbonatadas e Sulfatadas: Indicadas no combate ao artritismo, gastrite e moléstias de pele, por serem bastante alcalinas.

Águas Sulfurosas-bicarbonatadas e Cloro-sulfatadas: Podem tratar pacientes com reumatismo crônico, dispepsias, afecções hepáticas e atuar como estimulante do metabolismo.

Águas Ferruginosas-bicarbonatadas: Indicadas no tratamento de anemias ferroprivas.

1. Qual a diferença entre a água quente do chuveiro (ou da banheira) e as águas termais? A água do chuveiro é uma água pobre, quimicamente tratada, geralmente com pH ácido e proveniente das estações de tratamento. Já as águas termais são águas naturais, com origem nos lençóis aqüíferos subterrâneos milenares, geralmente com pH alcalino, e ricas em sais minerais.

2. Quais as propriedades das águas termais? Elas variam de uma fonte a outra? As propriedades benéficas das águas termais dependem grandemente dos sais minerais que elas contêm. Por exemplo, a água termal brasileira da fonte de São Pedro é muito semelhante às águas termais italianas, ricas em enxofre, lítio e silício. O enxofre ajuda as celulas a se renovarem mais rapidamente, além de combater os microorganismos e as infecções (principalmente nas peles oleosas e seborréicas). O lítio age como hidratante e o silício é um potente reestruturante das camadas mais profundas da pele, conferindo firmeza e prevenindo o envelhecimento). Já as águas termais francesas são ricas em magnésio, mineral determinante para manter a vitalidade do organismo.

3. Quais as mais famosas? E a que se deve esta fama?  As águas termais mais famosas do mundo são sem dúvidas a de Sirmione e Tabiano na Itália, Uriage e Saint Honoré na França e Aix-la-Chapelle, na Alemanha. Elas se destacam justamente por serem águas obtidas de fontes naturais e por serem as mais ricas em sais minerais e oligoelementos. Quanto maior a quantidade de sais minerais, maior a capacidade de trazer benefícios à pele e à saúde humana.

4. O Brasil é um bom pólo para quem gosta desse tipo de relaxamento? Por quê? O Brasil possui uma das melhores águas termais do mundo, na cidade de São Pedro. Pena que o brasileiro ainda não tem o hábito de usufruir das propriedades curativas e embelezadoras destas águas.

5. Que tipos de problemas de saúde podem ser aliviados com o banho termal? Estudos científicos muito modernos comprovam os poderes das águas termais no alívio de uma série de doenças, da sinusite às doenças reumáticas, passando pelos problemas respiratórios em geral (especula-se que a melhora venha do vapor). Por outro lado, a crença popular dos antigos curadores diz que as águas termais podem curar ou ao menos aliviar os sintomas de quase todas as enfermidades. Leonado da Vinci já usava a água das fontes italianas para aliviar seu problema de gota.

6. Há algum problema em engarrafar a água para usar depois?
Sim, as pessoas sentem os efeitos mesmo depois de uma compressa feita com água termal. Geralmente nos sentimos mais relaxados, mais equilibrados, mais energizados.

7. É indicado beber esta água com fins terapêuticos? Desde que elas sejam declaradas potáveis, não há mal algum no consumo. Aliás, todas as vezes que bebemos água mineral, estamos ingerindo água termal. Só que, geralmente, essas águas minerais que bebemos contêm um teor de sais menores do que as águas termais usadas em cosméticos.

8. O calor das fontes resseca a pele? O calor não resseca, e sim a água quente do chuveiro somada ao sabonete. Por isso, ao sair do banho, a receita é caprichar nos hidratantes. No caso de um banho de água termal quente, dependendo do tempo que se permanecer dentro da água, pode haver ressecamento ligeiro da pele (causada pela remoção da camada de gordura). A solução também será usar um bom hidratante depois. E por que não um hidratante a base de água termal?

9. O rosto também pode ser lavado nesta água mais quente? Sim sem dúvida. A água termal é rica em enxofre que acelera a renovação celular.

10. Depois de esfriar, a água mantém as propriedades? Por quê? Sim, pois os sais minerais ainda estão ali. Somente uma pequena porção de gases é perdida.

11. Alguém deve evitar este tipo de banho? Por quê? O banho com água termal não faz mal a ninguém. Mas pessoas com pressão baixa ou muito alta devem evitar o contato com águas quentes, pois o calor ajuda a pressão a se alterar.

12.Após sair do banho, como agir para que os benefícios sejam aproveitados da melhor maneira?Enxugar a pele com uma toalha de algodão, não usar sabonetes. E, se a pele for muito seca, aplicar um hidratante feito com água termal e com óleos vegetais naturais. Águas termais Ricas em minerais, elas refrescam, hidratam, renovam e protegem a pele.

De onde vêm?

As águas termais começam como gotas de chuva que penetram no solo e passam décadas embaixo da terra, sendo aquecidas pela temperatura ambiente. Na profundidade em que se encontra, a água permanece sem receber luz ou entrar em contato com bactérias e outros microorganismos. Por isso, é importante que a coleta e o armazenamento sejam feitos da forma mais higiênica possível. Nas fontes ou poços, a água pode emergir com temperaturas entre 35ºC e 54ºC.

No Brasil, os principais aqüíferos termais estão em Araxá (MG), Águas de São Pedro (SP) e Caldas Novas (GO). Mas os mais famosos do mundo estão na França, com destaque para Avène, que dá nome a um produto bastante conhecido. A descoberta das fontes de águas termais não é uma novidade, mas apenas recentemente os cosméticos feitos com ela – ou até mesmo o produto puro – têm caído no gosto das brasileiras.

Marcas francesas como a La Roche-Posay, Avène, Biotherm e Vichy já podem ser encontradas em drogarias e farmácias. A dermatologista Denise Barcelos, da Clínica Paula Belloti, no Rio, lembra que as águas termais servem para todos os tipos de pele, especialmente as sensíveis.

Termalismo é o conjunto de relações e vantagens que derivam de deslocação e permanência de pessoas nas estâncias termais, com o fim de obterem melhores condições de saúde, ou evitarem sua degradação, mediante a utilização de fatores e meios terapêuticos. Já é prática médica reconhecida pela Organização Mundial de Saúde. Além disso, sempre exerceu forte fascínio sobre o homem, sendo a mais antiga opção natural de saúde, bem-estar e prazer.

O homem pré-histórico já utilizava as águas para curar seus ferimentos ou então aliviá-lo das dores. Posteriormente, foram os gregos que empregaram as águas em suas massagens e dietas especiais, além de serem os pioneiros no estudo das águas como ciência.
Os romanos conseguiram elevar as propriedades terapêuticas das águas através das grandes conquistas do Império Romano. Ao voltarem das guerras, as tropas revigoravam o seu corpo mergulhando em imensas caldeiras, tendo um efeito curativo e relaxante. Estes lugares eram conhecidos como “Thermas” e eram edifícios destinados a banhos públicos na Roma antiga. O modelo típico costumava contar com três salas: frigidarium, tepidarium e caldarium. O tepidarium, para banhos temperados, o frigidarium, para banhos frios, e o caldarium, para banhos quentes ou sauna. Além do caráter revigorante, as thermas tinham o seu lado social, propiciando repouso e divertimento às famílias.

Com a vasta área conquistada pelo império, os costumes também se estenderam aos povos subordinados, principalmente no continente europeu, que se adequou bem a este costume. As termas daquela época – como Vichy na França e Baden-Baden na Alemanha -, são utilizadas e reconhecidas até hoje.

Após um período de estagnação durante a Idade Média, o termalismo alcançou novamente o seu apogeu durante o século XIX, com a Revolução Industrial, que possibilitou a construção de estradas de ferro, facilitando o acesso às estâncias. As autoras ressaltam que “no final do século XIX e início do século XX, o termalismo passou da era empírica para a clínica, com estudos científicos e controle das águas para análise química”.

Este crescimento nas pesquisas ocorreu até o final da Segunda Guerra Mundial, com o uso da alopatia – emprego de remédios industrializados – para curar as enfermidades dos soldados. Inaugurou-se o uso dos antibióticos e corticóides, fazendo avançar a indústria farmacêutica.

No Brasil, as primeiras ocorrências datam de 1722, com desbravadores invadindo o sertão goiano à procura de ouro e no lugar achando fonte de águas quentes. A primeira estância hidromineral brasileira foi descoberta em Santa Catarina em 1813. Famosa até hoje por ter abrigado em 1845 o então Imperador D. Pedro II e a Imperatriz D. Thereza Cristina, que inclusive fizeram uma doação para a construção de uma casa que hospedasse os enfermos. O local passou então a denominar-se Caldas da Imperatriz, localizada no município de Santo Amaro da Imperatriz, também em homenagem à esposa do imperador.

Crenoterapia faz parte do Termalismo e consiste no uso de águas minerais com propriedades consideradas medicamentosas e que podem ser utilizadas para complementar o tratamento de vários problemas de saúde.

Apesar de todo esse conhecimento ancestral, de reumatologistas, fisioterapeutas e geriatras (entre outro profissionais da área médica) estarem envolvidos com o termalismo e a crenoterapia e de as pessoas relatarem melhoras significativas (principalmente com relação a problemas reumáticos, dermatológicos, respiratórios e ortopédicos), faltam estudos que comprovem os benefícios desses tratamentos. Por isso ainda são vistos com ceticismo pela comunidade científica.

Alguém aqui já fez esse tipo de tratamento? Se sim, não deixem de nos contar o resultado.

Fontes: Crenoterapia a terapia com águas minerais, Termalismo (história e conceitos) eTerapia em águas minerais também é turismo.

 

Estâncias Hidrominerais do Brasil ( repostagem do ano 2012)

 Províncias hidrogeológicas com ocorrências springs do Brasil
fonte: http://media.wix.com/ugd/e37105_41ba700f911c414ca28c6fd2285ec0b0.pdf

O Brasil possui alguns Circuitos das Águas ou de Estâncias Hidrominerais de prestígio internacional, como em Minas Gerais o mais famoso das Águas Carbogasosas de Caxambú, São Lourenço, Cambuquira e Lambari; assim como o das Águas Termais Radioativas Sulfurosas de Araxá e Poços de Caldas, Caldas, Pocinhos do Rio Verde e Patrocínio.

Na Bahia, um dos primeiros hospitais termais das américas surgiu no Vale do Rio Itapicurú, em Cipó. Este esquecido Circuito baiano, junto com Jorro e Itapicurú, está localizado caprichosamente em clima de catinga e distante pouco mais de 200 Kms dos luxuosos resorts da Costa do Sauípe. Tratam-se de nascentes e poços de águas termais (quentes) de raras Águas Alcalino-terrosas. Por todo Nodeste citam-se muitos outros locais com ocorrências de Águas mineromedicinais: Brejo das Freiras/PB, Mossoró e Apodi/RN, Caldas de Barbalho/CE, Caldas do Bamburral, Olinda e Salgadinho/PE, Gamboa/MA,… e no Pará: as águas quentes de Monte Alegre e salgadas de Salinópolis.
No Rio de Janeiro são historicamente conhecidas, por seu paladar, as Águas Carbogasosas de Raposos – Itaperuna, as Iodetadas de Pádua e diversas outras ocorrências de águas Oligominerais nas Estâncias montanhosas cariocas: Teresópolis, Petrópolis, Nova Friburgo,…
No Mato Grosso são espantosas as vazões nascentes das cachoeiras de águas quentes nos mananciais do Rio São Lourenço; o mesmo ocorrendo com as badaladas Termas goianas do Rio Quente e Caldas Novas, completando este Circuito goiano com as águas quentes e salgadas de Cachoeira Dourada e Jataí.
Em Santa Catarina, o Circuito das Caldas da Imperatriz, Tubarão, Gravatal, Águas Mornas, Guarda, Urussunga…; possui das melhores infra-estruturas do país e águas com teores mundialmente reconhecidos de gás Radônio em meio suas nascentes de águas quentes e Oligominerais; que deram origem no passado até a conflitos armados com os indígenas, que as consideravam sagradas.
Existem atualmente 63 estâncias no Estado de São Paulo, sendo 13 Hidrominerais e destas 10 pertencentes ao mesmo Circuito: Águas de Lindóia, Águas da Prata, Amparo, Atibaia, Campos do Jordão, Lindóia, Monte Alegre do Sul, Poá, Serra Negra e Socorro. Este, conhecido como Circuito das Águas paulista ou Pré-cambriano paulista, possui águas Oligominerais frias (21 oC o ano inteiro) e com as maiores radioatividades nas fontes do país, que também ficaram conhecidas por seu paladar levíssimo, através de famosas marcas engarrafadas.
Vale destacar aqui, duas das maiores Províncias Hidrominerais do planeta, para o aproveitamento em atividades de Termalismo, Turismo saúde e Turismo hídrico; os aqüíferos das Bacia Sedimentar do Rio Paraná e os da Bacia Sedimentar Amazônica.
Na Bacia do Paraná, onde o famoso Aqüífero Guarani é considerado como o maior reservatório de água doce potável do mundo, existem também diversas Estâncias Hidrominerais; com águas minerais de especialíssima complexidade e alcalinidade, com propriedades terapêuticas já reconhecidas e com aproveitamento em atividades balneológicas e hidroterápicas. Existe um gigantesco potencial para viabilização de outras Estâncias Hidrominerais nesta desenvolvida região do MERCOSUL.
Entre os exemplos de São Paulo destacam-se: Águas de São Pedro e Ibirá, por suas características mundialmente destacadas de Enxofre (sulfurosa) e pH alcalino, respectivamente. Outros municípios paulistas: Piratininga (das mais mineralizadas do país), Presidente Epitácio, Presidente Prudente, Fernandópilis, Lins, Jales, Araçatuba, Olímpia,… Também fazem proveitos em recreação aquática das águas muito quentes e por vezes jorrantes à vários metros de altura. Estas águas especiais são alcançadas através de poços profundos, muitos de perfurações prospectoras para Petróleo e que permitiram acesso a estes preciosos mananciais.
Muito semelhante história ocorreu em outros municípios abrangidos por esta bacia sedimentar, como no Paraná: Maringá, Cornélio Procópio, Iretama, Mallet, Palmas, Guarapuava, Bandeirantes,…; em Santa Catarina: Palmitos, São Carlos, Chapecó, Piratuba,… e no Rio Grande do Sul: Iraí (Águas de Mel), Marcelino Ramos (onde existe o Trem das Termas), Ijuí, Vicente Dutra, Catuípe,…
Neste mesmo manancial subterrâneo, nossos irmãos de MERCOSUL, Uruguai: Dayman, Salto Grande, Arapey… e Argentina: Federación, Chajary, Colón,… fazem usos mais requintados em Termas, Resorts e com a prática regular da Medicina Hidrológica ou Crenologia.
A Amazônia possui muitos locais onde a cultura indígena e cabocla conhece águas e lamas com propriedades curativas, possuindo a maior riqueza mundial de áreas consideradas “intocadas” pela civilização. Destaca-se nesta região a diversidade, nítida até vista do espaço, entre as Águas superficiais do Rio Negro e as barrentas do Rio Solimões.
A gigantesca Hidrodiversidade da Bacia Sedimentar Amazônica estende-se a seus aqüíferos subterrâneos profundos, onde novamente atividades petrolíferas identificaram a ocorrência de águas hipersalinas, ou seja, mais salgadas que as marinhas, porém de composição mais diversificada em sais minerais e semelhante a reconhecida mundialmente, Água do Mar Morto de Israel, que possui reconhecidas propriedades terapêuticas (junto com suas lamas).
Finalmente, com o maior litoral tropical do mundo, possuímos também um dos maiores conhecedores de Talassoterapia, que envolve todos os RNTs (Recursos Naturais Terapêuticos) marinhos e/ou litorâneos, o Dr. Benedictus Mário Mourão.
Além da rica variedade de mangues ainda preservados, praias de geografias únicas, em climas tropicais, equatoriais até temperados; nosso litoral permite a exclusividade (apenas junto com a Índia) de desfrutar das Areias Monazíticas em várias localidades como: Guarapari/ES, Peruíbe/SP, Região dos Lagos/RJ, Ilhéus-Olivença-Cumuruxatiba/BA e outros pontos até o litoral do Amapá. Apesar disto tudo, não possuímos nestes locais, sequer um centro de estudos ou turísticos especializados em Talassoterapia !
Em resumo, temos um dos maiores patrimônios naturais da Geodiversidade mundial, sendo estratégico o fomento em atividades relacionadas as estas riquezas naturais, devendo fazer parte de um enfoque multidisciplinar e de planejamentos governamentais; assim como a Biodiversidade.
Pois, apenas aumentando os conhecimentos sobre nossas ocorrênicas naturais e sobre seus eventuais usos, iremos potencializar sua preservação e seu aproveitamento em atividades econômicas altamente sustentáveis; correlacionadas ao Termalismo, Turismo saúde e outros setores do Turismo de natureza; Medicina Hidrológica, Medicina Complementar (de acordo com Organização Mundial das Saúde), Medicina Preventiva, Medicina Ortomolecular, Farmacologia, Cosmética, SPAs, Estética e outros correlacionados à saúde, bem estar (“wellness”) e beleza; além obviamente da industria de águas minerais engarrafadas.
Mesmo porque, na Europa diversos SPAs (“salus per aqua”), Indústrias cosméticas e de águas engarrafadas de fama internacional e intensamente exportadas, nasceram de suas Estâncias Hidrominerais ou Termais; aproveitando de suas fontes de águas mineromedicinais, lamas, fangos, sais, climatismo e outras matérias-primas naturais terapêuticas.
Por exemplo, somente em previdência na Itália calcula-se economizar anualmente um bilhão de Euros; onde nas Termas são diariamente demonstradas eficácias terapêuticas, como: reumáticas, gastrintestinais, dermatológicas, otorrinolaringológicas, vias respiratórias, vasculares e do sistema urinário; nos mais de um milhão e meio de pacientes atendidos em 2003. Nos últimos sete anos o impulso dado ao Termalismo neste país europeu girou um volume financeiro superior a 3,5 bilhões de Euros e o consumo de produtos farmacêuticos alopáticos diminuiu em quase 50%.
Muito da infra-estrutura balneária de nossas Estâncias Hidrominerais e Climáticas, estão sob a responsabilidade do Estado, algumas prefeituras até recebem subsídios por tal status adquirido.
Apesar do histórico descaso com as Estâncias Hidrominerais do Brasil, não só político, mas econômico e acadêmico; os últimos governos federais começam atentar-se para este tema. Com FHC, através do Decreto federal de 08/07/2002 que prevê a criação de grupo executivo para integração entre a pesquisa e todo o setor produtivo relacionado às águas minerais, balneários e recursos hídricos; além de uma nova Comissão Permanente de Crenologia para rever o Código das Águas Minerais de 1945, que ainda regula estes recursos.
 tivemos o grande avanço da Portaria do Ministério da Saúde 971 de 03/05/2006 que, seguindo recomendações da Organização Mundial da Saúde considera, entre outras, que: “o Termalismo Social/Crenoterapia constituem uma abordagem reconhecida de indicação e uso de águas minerais de maneira complementar aos demais tratamentos de saúde e que nosso País dispõe de recursos naturais e humanos ideais ao seu desenvolvimento no Sistema Único de Saúde (SUS)”.
Desta maneira, espera-se uma grande expansão em médio prazo deste setor, que pode abranger o máximo da sustentabilidade sócio-ambiental; carecendo aqui, apenas de mais profissionais interessados nas diversas áreas de conhecimento, em especial Geologia e Medicina.
ANEXO PRÉ-LISTAGEM DAS TERMAS DO BRASIL
Fabio T Lazzerini – outubro de 2009
http://lattes.cnpq.br/9673319125586201

 

1. FONTES HIDROTERMAIS E RADIOATIVAS PARA SPA NATURAIS DO BRASIL FABIO TADEU LAZZERINI¹ Orientador: Prof. Dr. Daniel Marcos Bonotto² 1 Geólogo, IGCE, Geologia Regional, UNESP/RC, fatal@rc.unesp.br 2 Físico, IGCE, Geologia Regional, UNESP/RC, dbonotto@rc.unesp.br

RESUMO

Ao se observar o calor, o teor de gás radônio (222Rn), a magnitude da vazão e a forma da ocorrência natural de mais de 700 fontes de águas Brasileiras; enumeram-se 435 ocorrências termais (temperatura superior a 24,9 oC.), acima de 280 mananciais de quinta magnitude Meinzer (vazão superior à 2.272 litros/hora) e 152 fontes ao menos levemente radioativas (222Rn dissolvido acima de 1,82 nCi/litro). Sendo as 70 fontes hipertermais (acima de 39 oC.), descritas na Figura 3, em conjunto à 70 das 109 fontes radioativas e 70 fontes (nascentes ou poços rasos e profundos jorrantes) com descarga acima de 50.000 litros/hora. Não considerando seu atual estágio de utilização ou de degradação, tais fontes hidrominerais podem possuir aplicações em terapias, turismo de saúde, SPA, capacidade de hororradioatividade (nCi/hora) e potencial descarga de calor hidrogeotermal de baixa caloria (mW/m2). Há um elevado percentual de fontes simultaneamente termais e radioativas (acima de 25%). As regiões sul e sudeste possuem notória superioridade quantitativa documentada (49,9% do total termal e 78,3% do total radioativo). Assim, foram compilados valores de temperatura, radônio dissolvido (222Rn) e vazão de fontes com reconhecido ou potencial aproveitamento em SPAs. Através de pesquisa bibliográfica, bancos de dados públicos, sites específicos e arquivo pessoal de análises hidroquímicas; selecionaram-se no banco de dados elaborado, mais de 700 fontes termo-hidrominerais brasileiras com parâmetros suficientes para suas classificações normativas de acordo com a termalidade, radioatividade e magnitude de vazão natural. Observando este banco de dados, se pode confirmar a grande dotação natural brasileira em recursos hídricos subterrâneos relacionados aos usos em questão.

As classificações maiores: hipertermal, fortemente radioativa e acima da quarta magnitude de vazão na escala de Meinzer; estão em mais de uma centena de ocorrências (demais constatações e comparações no RESUMO deste).

V Encontro dos Programas de Pós-Graduação em Geociências # ST CITY Temp.(ºC) 1 SP PRESIDENTE EPITÁCIO 70,0 2 PR CIANORTE 65,0 3 BA MACAÚBAS 65,0 4 RN SERRA DO MEL 64,0 5 SP PRESIDENTE PRUDENTE 63,0 6 CE MISSÃO VELHA 60,0 7 PA ITAITUBA 60,0 8 SP FERNANDÓPOLIS 59,0 9 SP TUPÃ 54,2 10 PR MARINGÁ 54,0 11 SP JALES 52,0 12 SC SÃO JOÃO DO OESTE 49,5 13 SP TAUBATÉ 49,0 14 GO QUIRINOPOLIS 49,0 15 SP BARRETOS 48,0 16 SP PARAGUAÇÚ PAULISTA 48,0 17 BA TUCANO 48,0 18 RN MOSSORÓ 48,0 19 SP ARAÇATUBA 47,0 20 SP OLÍMPIA 47,0 21 MS TRES LAGOAS 46,0 22 SP PEREIRA BARRETO 45,4 23 SP SÃO JOSÉ DO RIO PRETO 45,0 24 PR CORNELIO PROCOPIO 45,0 25 PR FRANCISCO BELTRÃO 45,0 26 RS MACHADINHO 45,0 27 MG POÇOS DE CALDAS 45,0 28 GO CALDAS NOVAS 45,0 29 GO RIO QUENTE 45,0 30 PR LONDRINA 44,8 31 SP BEBEDOURO 44,5 32 GO BOM JARDIM 44,0 33 MT JUSCIMEIRA 44,0 34 MT NOBRES 44,0 35 SP MARÍLIA 43,8 36 43,5 # ST CITY Rad(nCi/l) 1 MG ARAXÁ 53,18 2 SP AMPARO 34,68 3 SP AGUAS DA PRATA 34,12 4 BA CORAÇÃO DE MARIA 24,00 5 SC TUBARÃO 18,34 6 SC SANTO AMARO IMPERATRIZ16,65 7 SP MONTE ALEGRE DO SUL 16,48 8 SC CHAPECÓ 16,45 9 SP ARAÇARIGUAMA 16,40 10 MG ARAXÁ 15,98 11 MG CALDAS 15,97 12 SP POÁ 15,25 13 SC SÃO BONIFÁCIO 15,21 14 SP MONTE ALEGRE DO SUL 14,52 15 SC SANTO AMARO IMPERATRIZ13,02 16 MG ARAXÁ 11,67 17 SP LINDÓIA 11,61 18 SC IMARUÍ 11,39 19 SP VALINHOS 11,21 20 MG CAXAMBÚ 11,20 21 MG CAXAMBÚ 11,16 22 SC SANTA ROSA DE LIMA 10,60 23 MG CALDAS 10,42 24 SP GARÇA 10,02 25 SC PALMITOS 9,83 26 SC ÁGUAS MORNAS 9,59 27 SP SÃO JOSÉ DOS CAMPOS 9,26 28 MG ITABIRA 9,04 29 MG CALDAS 8,99 30 MG CALDAS 8,97 31 SP SERRA NEGRA 8,89 32 MG CAXAMBÚ 8,23 33 SP ITAPIRA 7,99 34 MG PASSA QUATRO 7,83 35 MG NOVA ERA 7,33 36 SC 6,96 # ST CITY Flow l/h 1 GO RIO QUENTE 6.000.000 2 GO LAGOA SANTA 3.600.000 3 GO JATAÍ 1.800.000 4 MT DOM AQUINO 1.500.000 5 TO NOVO ACORDO 1.296.000 6 SP ÁGUAS DE LINDÓIA 1.000.000 7 SP PRESIDENTE EPITÁCIO 1.000.000 8 PI CRISTINO CASTRO 1.000.000 9 BA CIPÓ 978.000 10 GO CALDAS VELHAS 833.334 11 BA ÉRICO CARDOSO 720.000 12 SP JALES 700.000 13 SP FERNANDÓPOLIS 450.000 14 SP ARAÇATUBA 416.650 15 SP OLÍMPIA 350.000 16 SC CONCORDIA 350.000 17 ARG CHAJARÍ 300.000 18 ARG FEDERACIÓN 300.000 19 GO QUIRINOPOLIS 280.000 20 MA CAROLINA 246.600 21 SP PITANGUEIRAS 230.000 22 SC CAMPOS NOVOS 200.000 23 GO JATAÍ 200.000 24 SP LINS 185.000 25 MG MARIO CAMPOS 181.600 26 PR MATELANDIA 180.000 27 MG BELO HORIZONTE 180.000 28 CE BARBALHA 180.000 29 PI SÃO JOÃO DO PIAUI 170.000 30 PI SANTA CRUZ DO PIAUÍ 160.040 31 ARG CONCORDIA 150.000 32 SP SÃO JOSÉ DO RIO PRETO 148.000 33 ARG COLÓN 145.000 34 SC GRAVATAL 144.000 35 SC ITÁ 140.000 36 MG 126.000

Desde décadas passadas são conhecidos centenas de exemplos nacionais, donde, apesar do baixo gradiente geotérmico médio, se destacam as elevadas vazões em nascentes termais do centro-oeste e em poços jorrantes de diversas bacias sedimentares (HAMZA & CARNEIRO, 2004); além do teor médio de 222Rn pesquisado nas fontes do sul e sudeste, ser de duas a três vezes superior a média nacional (1,56 nCi/L).(GODOY & GODOY, 2005) A temperatura e o gás radônio estão entre os principais componentes biologicamente ativos das águas mineromedicinais de fontes naturais, sendo seus teores e formas de ações, amplamente pesquisados em crenologia (ou medicina hidrológica), terapias de SPA (Saúde Pela Água), hidro-balneoterapias, fisioterapia, diversas especialidades médicas, farmacologia, turismo de saúde, etc. Desta maneira, conjuntamente a outros componentes destes recursos hídricos, como: vazão, gases emanados, pH, salinidade, alcalinidade, dureza, constituintes dissolvidos (gases, inorgânicos, orgânicos, colóides), etc.; costumam ser utilizados terapeuticamente em banhos, inalação e ingestão (esporádica ou cotidiana). (* Diversos trabalhos) A diretiva de classificação para águas minerais no Brasil, quando relacionada à temperatura e radioatividade, obriga o uso posterior do termo “na Fonte”; ou seja, as águas serão consideradas minerais termais e/ou radioativas quando estiverem em seus jazimentos naturais (nascentes, poços ou poços jorrantes). Não são especificadas a proximidade ou o prazo para seu consumo, mas ficam evidentes os benefícios particulares nas aplicações “in situ” ou local da surgência destes recursos naturais terapêuticos, através destas duas características físico-químicas fundamentais As principais técnicas termais hidroterápicas (em tratamentos tópicos e temporários) são: Termoterapia (acima de 37 oC.) e Crioterapia (entre 15 e 35 oC), com temperaturas alternadas e exercícios em meio aquático. Dentre os benefícios constatados: fibromialgia, parto, cuidados a recém nascidos, picada de insetos, lombalgia, artroses, artrite, reumatismo, feridas, insônia, infecções vias respiratórias altas, patologia neuromotora, relaxamento, estresse, febre, dores musculares,… (VILÀ, 2008). As fontes hidrominerais podem conter radionuclídeos sob a forma de gases (radônio, torônio e actínio) emanados nos locais das surgências, gases e substâncias dissolvidas em águas (228Ra, 226Ra, 210Pb, U nat, Th nat). As águas radioativas são avaliadas basicamente por seu teor de gás 222Rn dissolvido. Este gás é facilmente absorvido pela membrana mucosa e pele, também sendo eliminado em poucas horas. Suas propriedades terapêuticas provem da radiação alfa, com fraca capacidade de penetração e boa capacidade de ionização ou excitação bioquímica. As principais indicações terapêuticas são: doenças osteo- articulares, gota, sistema nervoso central, sistema imunológico, sistema reprodutor, estimulação diurética, dermatologia, funções ginecológicas,… (ALBERTINI ET ALLI, 2007).

  • -Download, bibliografia e links deste em: termalismobrasil.blogspot.com Fig.3 – Ranking TOP 70 – Hot, Rn & Flow Brazilian Springs Fig. 1 – SPA THERMAL RADON SPRINGS Reitoria Pró-Reitoria de Pós-Graduação 36 GO CALDAS DE PIRAPETINGA 43,5 37 MT SANTO ANTONIO DO LEVERGER 42,1 38 SP PITANGUEIRAS 42,0 39 PR IRETAMA 42,0 40 PR ITAIPULANDIA 42,0 41 MS TRES LAGOAS 42,0 42 MT CUIABÁ 42,0 43 SC ÁGUAS MORNAS 41,6 44 MT BARRA DO GARÇAS 41,6 45 SP LINS 41,2 46 GO MINAÇU 41,2 47 AM SÃO GABRIEL DA CACHOEIRA 41,2 48 MT SANTO ANTÔNIO DO LEVERGER 41,1 49 PR FOZ DO IGUAÇÚ 40,0 50 PR PRUDENTÓPOLIS 40,0 51 MG MONTEZUMA 40,0 52 MG POÇOS DE CALDAS 40,0 53 MT JACIARA 40,0 54 MT POXORÉU 40,0 55 MT RONDONÓPOLIS 40,0 56 BA CIPÓ 40,0 57 SC SANTO AMARO IMPERATRIZ 39,8 58 SP PIRATININGA 39,5 59 SC SANTO AMARO IMPERATRIZ 39,5 60 PA MARABÁ 39,4 61 TO JAU 39,2 62 TO PARAISO DO TOCANTINS 39,2 63 PR FOZ DO IGUAÇÚ 39,0 64 RS ERECHIM 39,0 65 RS PASSO FUNDO 39,0 66 GO CACHOEIRA DOURADA 39,0 67 MT CHAPADA DOS GUIMARÃES 39,0 68 MT GENERAL CARNEIRO 39,0 69 PA ITAITUBA 39,0 70 SP MONTE ALTO 38,0 36 SC GRAVATAL 6,96 37 RJ TERESÓPOLIS 6,85 38 GO ITAPIRAPUÃ 6,82 39 SP CAMPOS DO JORDÃO 6,80 40 SC PEDRAS GRANDES 6,76 41 MG ITAÚNA 6,70 42 SP SERRA NEGRA 6,53 43 MG SANTA LUZIA 6,52 44 GO GOIÁS VELHO 6,24 45 RJ NOVA FRIBURGO 5,92 46 PR GUARAPUAVA 5,82 47 RS ALEGRETE 5,67 48 RS IRAÍ 5,67 49 RJ RIO BONITO 5,67 50 SC TUBARÃO 5,65 51 GO JATAÍ 5,55 52 MG TERMÓPOLIS 5,36 53 PR FOZ DO JORDÃO 5,25 54 RJ ITABORAÍ 5,25 55 PR SULINA 5,23 56 BA CIPÓ 5,09 57 PE JABOATÃO 4,95 58 MG JACUTINGA 4,88 59 SP AGUAS DA PRATA 4,81 60 RS IPÊ 4,71 61 SP AMPARO 4,61 62 SP MAIRIPORÃ 4,61 63 SP CUNHA 4,57 64 MG CAXAMBÚ 4,54 65 SP AMPARO 4,53 66 SP SOCORRO 4,50 67 SP PIEDADE 4,44 68 SP SANTA ROSA DO VITERBO 4,40 69 MG CAXAMBÚ 4,32 70 PE CARUARÚ 4,05 36 MG CONCEIÇÃO DAS ALAGOAS 126.000 37 SC PIRATUBA 120.000 38 BA DIAS D’ÁVILA 120.000 39 MG ITABIRITO 118.000 40 AM TEFÉ 113.140 41 BA CIPÓ 111.000 42 RS ANTONIO PRADO 110.000 43 PR CAMPO LARGO 108.000 44 TO JAU 108.000 45 AM PRESIDENTE FIGUEIREDO 102.857 46 SP PARAGUAÇÚ PAULISTA 100.000 47 PR MARINGÁ 100.000 48 MA IMPERATRIZ 100.000 49 AM ITACOATIARA 100.000 50 AM PARINTINS 100.000 51 MT BARRA DO GARÇAS 95.470 52 BA TUCANO 91.500 53 PR MARECHAL CANDIDO RONDON 90.000 54 RS IJUÍ 90.000 55 SP CAMPOS DO JORDÃO 86.400 56 GO ITAJÁ 85.000 57 SC ÁGUAS MORNAS 83.736 58 MT JACIARA 83.350 59 PR FOZ DO IGUAÇÚ 82.000 60 PR ITAIPULANDIA 75.000 61 MT CUIABÁ 74.166 62 PA CURUÇÁ 72.000 63 MG CARANGOLA 66.000 64 RS NOVA PRATA 64.000 65 CE BARBALHA 60.000 66 RN PARNAMIRIM 56.500 67 SC PEDRAS GRANDES 54.250 68 GO CALDAS DE PIRAPETINGA 54.167 69 RO ALTO PARAISO 54.000 70 SP CAMPOS DO JORDÃO 52.200 Fig.2- Inventários de Fontes Hidro-Termais do Brasil SAF,1927; WARING,1965; MARQUES, 1981; HURTER ET ALLI, 1983 e ALVES ET ALLI,1997