Carboidratos

Carboidratos

Os carboidratos fornecem o combustível básico para seu corpo. Seu corpo precisa dos carboidratos como um motor de carro precisa da gasolina.

O carboidrato mais simples é a glicose. A glicose, também chamada de “açúcar do sangue” e “dextrose”, fluem na corrente sangüínea para estar disponível a cada célula de seu corpo. Suas células absorvem glicose e a convertem na energia utilizada pela célula. Especificamente, um conjunto de reações químicas na glicose cria ATP (adenosina tri-fosfato), e uma ligação de fosfato nas energias de ATP cria a maioria da maquinaria em uma célula humana. Se você beber uma solução de água e glicose, esta passa diretamente do sistema digestivo para a corrente sangüínea.

O carboidrato possui este nome porque a glicose é formada de carbono e água. A fórmula química da glicose é:

C6H12O6
 

 

Repare que a glicose é composta de seis átomos de carbono (carbo…) e de elementos de seis móleculas de água (…hidrato). A glicose é um açúcar simples, por isso, tem um gosto doce para nossa língua. Há outros açúcares simples dos quais você já deve ter ouvido falar. A frutose é o principal açúcar das frutas. A frutose tem a mesma fórmula química da glicose (C6H12O6), mas a organização dos átomos é um pouco diferente. O fígado converte a frutose em glicose. A sacarose, também conhecida como ” açúcar branco” ou “açúcar de mesa”, é constituída de uma molécula de glicose ligada a uma de frutose. A lactose (açúcar encontrado no leite) é produzida a partir de uma molécula de glicose ligada a uma de galactose. A galactose, como a frutose, tem os mesmos componentes químicos que a glicose, mas a organização dos átomos é diferente. O fígado também converte a galactose em glicose. A maltose, o açúcar encontrado no malte, é produzido a partir da ligação de dois átomos de glicose.

A glicose, a frutose e a galactose são monossacarídeos e são os únicos carboidratos que podem ser absorvidos pela corrente sangüínea através da parte interna do intestino. A lactose, a sacarose e a maltose são dissacarídeos (eles contêm dois monossacarídeos) e são facilmente convertidos em suas bases monossacarídeas pelas enzimas no trato digestivo. Monossacarídeos e dissacarídeos são chamados de carboidratos simples. Eles também são açúcares, têm sabor doce, são digeridos e entram na corrente sangüínea de forma muito rápida. Ao olhar o rótulo de “informações nutricionais” de uma embalagem de alimentos e vir “açúcares” abaixo da parte que fala de “Carboidratos”, é desses açúcares simples que o rótulo está falando.

Também existem carboidratos complexos, normalmente conhecidos como “amidos”. Um carboidrato complexo é composto de cadeias de moléculas de glicose. Amidos são a maneira que as plantas usam para armazenar energia – elas produzem glicose e formam cadeias com estas moléculas para formá-los. A maioria dos grãos (trigo, milho, aveia, arroz) e alimentos como batatas e bananas são ricos em carboidratos complexos. Seu sistema digestivo quebra um carboidrato complexo em moléculas de glicose para que esta glicose possa entrar na sua corrente sangüínea. No entanto, leva muito mais tempo para quebrar o amido. Se você beber uma lata de refrigerante cheia de açúcar, a glicose entrará na corrente sangüínea em uma taxa de 30 calorias por minuto. Um carboidrato complexo integral é digerido muito mais vagarosamente, o que faz com que a glicose entre na corrente sangüínea a uma taxa de apenas duas calorias por minuto.

Você pode ter ouvido falar que comer carboidratos complexos faz bem, mas que o açúcar não. Você pode até mesmo ter sentido isso no seu próprio corpo. A seguinte citação do Guia para a Nutrição das Crianças de Yale explica porque:

Se os carboidratos complexos integrais são quebrados em monossacarídeos nos intestinos, antes de serem absorvidos pela corrente sangüínea, porque eles são melhores do que o açúcar refinado ou outros di- ou mono-sacarídeos? Isso tem muito a ver com o processo de digestão e absorção. Os açúcares simples requerem pouca digestão, e quando uma criança come um alimento doce (como uma barra de chocolate recheado ou uma lata de refrigerante) o nível de glicose do sangue se eleva rapidamente. Em resposta, o pâncreas produz uma grande quantidade de insulina para evitar que os níveis de glicose no sangue se elevem muito. Esta grande resposta de insulina, por sua vez, tende a fazer o nível de açúcar do sangue cair depois de 3 a 5 horas depois da barra de chocolate ou da lata de refrigerante ser consumida. Esta tendência de queda do nível de glicose no sangue pode, então, levar ao surgimento da adrenalina, que por sua vez pode causar nervosismo ou irritabilidade. O mesmo “efeito montanha russa” de níveis de glicose e hormônios não ocorre depois de comer carboidratos complexos integrais ou após ter uma refeição balanceada, porque os processos de digestão e absorção são muito lentos.

Pensando bem, isto é muito interessante porque mostra que os alimentos que você consome e o modo com que faz isto podem afetar seu humor e seu temperamento. Os alimentos afetam os níveis dos hormônios em sua circulação sanguínea por muito tempo.

Outra coisa interessante sobre esta citação é a menção da insulina. Acontece que a insulina é muito importante para o modo que o corpo usa a glicose que a alimentação fornece. As funções da insulina são:

  • possibilitar que a glicose seja transportada pelas membranas das células
  • converter a glicose em glicogênio para ser armazenado no fígado e músculos
  • ajudar o excesso de glicose a ser convertido em gordura
  • evitar a quebra de proteína para não faltar energia

De acordo com a Enciclopédia Britânica (em inglês):A insulina é uma proteína simples na qual duas cadeias de polipeptídeos de aminoácidos são reunidos por ligações de bissulfeto. A insulina ajuda a transformar a glicose nas células para que elas possam oxidar a glicose e produzir energia para o corpo. No tecido adiposo (gordura), a insulina facilita o armazenamento da glicose e sua conversão em ácidos graxos. A insulina também permite a decomposição química dos ácidos graxos. No músculo, ela permite que os aminoácidos saibam quando devem produzir proteínas. No fígado, ela ajuda a converter a glicose em glicogênio (o armazenamento de carboidrato em animais) e reduz a gliconeogênese (a formação de glicose a partir de fontes não carboidratos). A ação da insulina é antagonizada pelo glucagon (outro hormônio pancreático) e pela adrenalina.O que você pode começar a ver a partir desta descrição é que na verdade há muitas coisas diferentes acontecendo no seu organismo envolvendo a glicose. A glicose é a fonte essencial de energia para seu corpo, que possui muitos mecanismos diferentes para assegurar que o nível correto de glicose esteja adequado na corrente sangüínea. Por exemplo, seu corpo armazena a glicose em seu fígado (como o glicogênio) e também pode converter a proteína em glicose, se necessário. Os carboidratos fornecem a energia que as células precisam para sobreviver.

Os carboidratos podem ser classificados em:

1) Monossacarídeos: a glicose (dextrose) e a frutose são os principais monossacarídeos encontrados em sua forma livre nos alimentos.

A glicose é abundante em frutas, milho doce, xarope de milho, mel e certas raízes. Ela é o principal produto formado pela hidrólise (quebra) dos carboidratos mais complexos na digestão e a forma de açúcar normalmente encontrada na corrente sanguínea. É oxidada nas células como fonte de energia e armazenada no fígado e nos músculos em forma de glicogênio. É importante destacar que a glicose é a única forma de que o sistema nervoso central se alimenta e sobrevive.

Já a frutose (levulose, açúcar da fruta) é encontrada junto com a glicose e a sacarose no mel e frutas, e é o mais foce dos açúcares. É por essa característica que alguns adoçantes são feitos da frutose, e os refrigerantes são adoçados com este açúcar (xarope de milho) ao invés de usarem a sacarose para produzí-los.

A principal fonte de galactose na alimentação é a lactose vinda do leite de mamíferos, mas esta também podem ser encontradas em algumas frutas e legumes.

O leite e os produtos lacticínios são as principais fontes de galactose; algumas carnes – principalmente vísceras – e leguminosas também são grandes fontes do açúcar. A galactose também pode ser encontrada (em menores quantidades) em frutas, vegetais e frutos do mar (por exemplo, algas), entretanto, ainda não se sabe se as pequenas quantidades de galactose presentes nesses alimentos causam problemas a longo prazo.
A tabela a seguir mostra a quantidade de galactose em alguns alimentos.

 

2) Dissacarídeos: Estes açúcares são compostos de duas moléculas de monossácarídeos e uma delas sempre será a glicose. Sacarose – glicose e frutose; Maltose – glicose e glicose; Lactose – glicose e galactose.

A sacarose é o açúcar de uso comum, açúcar de mesa. Principalmente encontrada na cana-de-açúcar, açúcar de beterraba, melaço, xarope e açúcar de bordo, xarope de milho, entre frutas, vegetais e mel. Quando hidrolisada por enzimas digetsivas, a sacarose, é covertida em partes iguais de glicose e frutose.

A maltose (açúcar do malte) não é encontrado facilmente em sua forma livre na natureza, é criada durante a digestão por enzimas que quebram grandes moléculas de amido em fragmentos de dissacarídeos, que podem então ser quebrados em duas moléculas de glicose para uma fácil absorção. Isto ocorre na natureza quando a semente de um grão de cereal brota e suas enzimas convertem o amido do grão em maltose.

A lactose (açúcar do leite) é o principal açúcar encontrado no leite. Não existe em vegetais e está limitada quase exclusivamente às glândulas mamárias de animais lactentes. É menos solúvel que os outros dissacarídeos e é apenas um sexto tão doce quanto a glicose. Pela hidrolise, produz glicose e frutose. Este açúcar é de impotância clínica em pessoas com ausência de enzima digestiva suficiente (lactase) para uma hidrólise eficiente e em crianças pequenas nascidas sem a enzima do fígado que converte galactose em glicose.