O Café no Brasil, qualidade e características

Você sabe dizer a diferença entre os cafés servidos nas regiões do Brasil? Uma coisa é certa: café é um amor maior, seja qual for a sua origem.

Graças às características geográficas variadas, como latitude, altitude, tipo de solo e clima, no Brasil existe uma grande diversidade no cultivo do café. Além disso, por questões culturais, são diversos também os métodos de preparo da bebida, como consequência disso, temos uma enorme gama de aromas e sabores caracterizados por sua região de origem.

Vamos falar sobre algumas dessas diferenças para que na próxima vez que você for experimentar um cafezinho de outra região perceba e aprecie ainda mais essa variedade.

BAHIA

Região da Chapada Diamantina, planalto, com altitude média de 850 metros e temperatura amena, as características são ideais para o cultivo do arábica e a produção de cafés gourmet. Os produtores da região da Bahia já receberam vários prêmios pela qualidade da bebida.

Características do café: encorpado e aveludado, adocicado, com acidez cítrica, notas de nozes, chocolate e final prolongado.

CERRADO MINEIRO

Essa região mineira ganhou destaque no cenário nacional tanto pela alta qualidade de seus grãos quanto pela ousadia com que busca diferenciação e alternativas para a atividade. Os cafés do Cerrado de Minas Gerais são caracterizados por serem uma bebida fina, por terem corpo forte e excelentes aroma e doçura.

Características do café: aroma intenso, com notas de caramelo e nozes, acidez delicada e cítrica, encorpado, sabor doce com notas de chocolate e finalização de longa duração.

SUL DE MINAS

A região sul do estado de Minas Gerais é a maior produtora de café Arábica do Brasil e, não por coincidência, a região também é a maior produtora de café do mundo! Aqui está concentrado o maior número de árvores de café plantadas por metro quadrado. As variedades mais cultivadas nesse local são o Catuaí e o Mundo Novo, mas também há outras variedades de lavouras.

Características do café: Sudoeste – corpo médio, acidez alta, adocicado, com notas florais e cítricas; Montanhas – corpo aveludado, acidez alta, adocicado, com notas de caramelo, chocolate, amêndoa, cítricas e frutadas.

MOGIANA

Tradicional produtora de cafés localizada entre São Paulo e Minas Gerais, conta com forte presença da indústria cafeeira há mais de 150 anos. Organizada em três subdivisões: Alta, Média e Baixa, a região se destaca pela produção de cafés arábica em grande escala, tem até uma associação que representa produtores locais.

Características do café: aroma marcante, frutado com notas de chocolate e nozes, corpo cremoso aveludado, acidez média e muito equilibrada e finalização prolongada com uma doçura de caramelo e notas de chocolate amargo.

ESPÍRITO SANTO

O segundo maior produtor de café do Brasil, os principais tipos de cultivo são as espécies Arábica e Robusta, que, inclusive, dá ao Brasil o segundo lugar como produtor de café Robusta no mundo, ficando atrás apenas do Vietnã.

Características do café: encorpado e com acidez de média a alta, doçura e boa complexidade de aromas.

PARANÁ

Região que possui mais de 100 anos de história ligada à produção de café, recentemente consolidou-se como região produtora de cafés especiais do Brasil, por meio da Indicação Geográfica de Procedência (I.G.P). A região possui condições climáticas ideais para a produção de cafés finos, os famosos grãos dessa região recebem cuidados especiais, desde o preparo da muda, passando pelo plantio, colheita, beneficiamento até a armazenagem.

Características do café: corpo médio, doce, com acidez média e notas de chocolate e caramelo.

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Brasil é dono do título de melhor café do planeta

Fonte: https://www.updateordie.com/

Sebastião Afonso Silva venceu novamente o Cup of Excellence

O café é a segunda bebida mais consumida pelos brasileiros, ficando atrás apenas da água, e 97% das pessoas no país consumem a bebida em algum momento de seus dias – mea culpa. Não é à toa que o título de melhor café do planeta veio justamente para cá. Sebastião Afonso Silva, dono de uma fazenda cafeeira no município de Cristina, sul de Minas Gerais, venceu o último Cup of Excellence, concurso internacional de qualidade de cafés.

Na fazenda de Sebastião, o trabalho é artesanal, com colheita à mão. O clima da região, favorável ao cultivo do grão, também ajuda. A colheita é tardia, com os grãos maduros permanecendo mais tempo nos galhos, o que garante melhor aproveitamento do processo. No concurso, o trabalho resultou na maior nota mundial já obtida: 95,18 em uma escala de 100. Entre as principais características elogiadas, estão a acidez, a doçura e o corpo. Tais qualidades foram adquiridas graças a fatores técnicos, tais como adubação correta, análise de solo e altitude da propriedade rural – sua fazenda fica no topo das montanhas da região da Serra da Mantiqueira, a mais de 1,3 mil metros de altitude.

Sebastião trabalha com a cultura de café desde 1995 e há 11 anos começou a investir no segmento de cafés especiais. De lá pra cá, já faturou 24 prêmios de qualidade – de toda sua produção, 80% é destinada a esse mercado mais especializado. E apesar de ainda trabalhar, de certa forma, artesanalmente, o agricultor investe pesado na infraestrutura da sua fazenda. Ali existe, por exemplo, um laboratório usado para análise de grãos e propriedades do solo.

Tanto cuidado com o processo e o prestígio nos resultados fizeram o preço do produto subir, é claro. Hoje, os principais compradores do café de Sebastião são os Estados Unidos – a Starbucks, por exemplo, maior rede de cafeterias norte-americana, comprou uma saca de 60 quilos do grão por cerca de R$9,8 mil.

A qualidade dos cafés especiais produzidos na Mantiqueira de Minas Gerais começou a ser valorizada a partir dos anos 2000, quando um projeto de incentivo da produção especial foi implementado na região. 

Vale ressaltar que o que faz um café ser especial não é só o processo utilizado na plantação dos grãos ou a exclusividade do produto. De acordo com a Metodologia de Avaliação Sensorial da SCA (Specialty Coffee Association), usada no mundo todo, “Café Especial” é todo aquele que atinge, no mínimo, 80 pontos na escala de pontuação da metodologia, em uma escala que vai até 100. Na avaliação, são analisados os atributos: fragrância/aroma, uniformidade, ausência de defeitos, doçura, sabor, acidez, corpo, finalização, harmonia e conceito final, isto é, a impressão geral sobre o café atribuída pelo classificador.

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15/03/2016 07h00 – Atualizado em 15/03/2016 17h12

Quilo de café mineiro premiado em concurso vale R$ 593 no exterior

Fonte: http://g1.globo.com/mg/

Pacote de 250g é vendido por U$ 40; na cotação desta terça, R$ 148,44.
Mantiqueira investe em produção de café natural melhor avaliado no mundo.

Lucas Soares em Cristina e Carmo de Minas

Altitude, clima e solo favoráveis beneficiam a produção de cafés especiais na Mantiqueira (Foto: Arquivo Pessoal / Sebastião Silva)Altitude, clima e solo favoráveis beneficiam a produção de cafés especiais na Mantiqueira (Foto: Arquivo Pessoal / Sebastião Afonso)

É do alto da Serra da Mantiqueira, no Sul de Minas Gerais, a uma altitude de cerca de 1,5 mil metros, que vem o café natural mais caro do mundo. Pelo segundo ano consecutivo, o café produzido pelo produtor Sebastião Afonso da Silva, do município de Cristina (MG), foi escolhido o melhor em 2015 pelos jurados do concurso “Cup of Excellence”, alcançando uma pontuação de 94,47. Em 2014, quando também levou o título, o produtor conseguiu a maior nota já obtida em concursos para um café natural em todo o mundo: 95,18, em uma escala que vai até 100.

Apenas uma saca de 60 quilos desse café premiado chegou a ser vendida a R$ 9,8 mil para a Starbucks, dos Estados Unidos, a maior rede de cafeterias do mundo. A façanha foi tamanha que representantes da empresa fizeram questão de viajar até o Sul de Minas para entregar ao produtor uma embalagem de 250 gramas do café, que estava sendo vendido ao preço de 40 dólares nos Estados Unidos – na cotação desta terça-feira (15), R$ 148,44. “Eles marcaram o lugar e desceram de jatinho só para me entregar”, recorda com orgulho o produtor.

E não para por aí. Todo o lote premiado, composto de 17 sacas de 60 Kg, foi vendido a US$ 48,5 mil, o equivalente a R$ 145 mil. O quilo do café premiado rendeu R$ 142 ao produtor, enquanto o quilo de um café comum, tipo 6, bebida dura, rende R$ 8 conforme a última cotação. A valorização foi quase 18 vezes maior em relação ao mercado convencional.

Embalagem do café produzido em Cristina e vendido nos Estados Unidos: 40 dólares por 250 gramas (Foto: Lucas Soares/G1)Após ser exportado, café produzido em Cristina é
embalado e vendido nos Estados Unidos ao preço
de 40 dólares por 250 gramas
(Foto: Lucas Soares / G1)

A altitude, o clima e o solo favoráveis fazem com que a região da Mantiqueira consiga ter destaque na produção de cafés especiais. Atrelado a esses três fatores está o pós-colheita, que é o cuidado que o produtor precisa ter com o grão assim que ele sai do pé. Segundo Vanusia Nogueira, diretora da Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA), esses são os detalhes que fazem com que a Mantiqueira de Minas tenha destaque nos concursos especiais, principalmente na categoria “Cafés Naturais”.

“Oitenta porcento do café produzido no Brasil é de café natural, é o café de terreiro, que é o concurso que o Sebastião ganhou. É o café normal que precisa de menos investimento de estrutura dentro de uma propriedade. Ele é muito bem aceito pela agricultura familiar, pelo pequeno agricultor no Brasil, que é maioria. Ele é muito mais difícil de secar. O café natural é aquele que seca com tudo e depois se tira a semente. Nos lavados, descascados, se tira toda a polpa e só a semente fica secando. O processo de secar a semente pura é muito mais rápido do que ficar com a fruta inteira esperando naturalmente a desidratação. Para isso acontecer de uma forma interessante, você precisa ter um período de umidade do ar baixa. Entre os nossos concorrentes, só o Brasil tem o período de safra seco”, explica Vanusia.

A diferença que faz um café ser considerado especial em relação a um café normal, o café “commodity” está, além dos fatores naturais, no cuidado do produtor, principalmente no pós-colheita. Nesse tipo de produção, se preza a qualidade ao invés da quantidade. O cuidado com o grão impulsiona atributos que fazem o produto se tornar único.

Seu Sebastião e o filho Helisson: bi-campeão em concurso de cafés especiais (Foto: Lucas Soares/G1)Seu Sebastião e o filho Helisson: família bicampeã em concurso de cafés especiais (Foto: Lucas Soares/G1)

“Os principais atributos são doçura, acidez e corpo. A doçura é uma das características que fazem o café especial brasileiro se tornar competitivo. Nenhum café especial é tão doce como brasileiro. Quanto melhor essa combinação, maior nota ele vai conseguir na degustação profissional do concurso. Um fator que fez o café do produtor Sebastião se tornar inconfundível em 2014 e 2015 foi o aroma de chocolate. E isso mostra que não foi um acidente de percurso, já que durante dois anos consecutivos, ele conseguiu manter as mesmas propriedades”, completa Vanusia.

A valorização que o café do produtor de Cristina alcançou é rara, já que a maioria dos lotes de cafés especiais de concurso são vendidos em média, a cerca de R$ 2 mil a saca. No entanto, segundo especialistas, mesmo os cafés que não são premiados em concurso conseguem uma valorização cerca de 30 a 40% maior do que o que é pago por um café comum, tanto no mercado externo, quanto no interno.

Segredos de campeão
Gente simples do campo, Sebastião Afonso nunca imaginava que um dia teria o seu produto reconhecido mundialmente. Em 1995, começou a plantar arroz com os outros 14 irmãos. Mas, com o custo alto de produção e o baixo preço de venda no mercado, logo precisou procurar outra alternativa. Foi plantando um pé de café aqui, outro ali, e logo foi expandindo sua área. Hoje já possui 285 mil pés plantados em cinco propriedades, o que dá uma área de 85 hectares de café.

Há sete anos decidiu parar de plantar arroz definitivamente e começou a investir em um nicho de mercado: a produção de cafés especiais. Desde então, não parou de ganhar prêmios. O primeiro veio em 2008 e recentemente, veio o reconhecimento mundial.

“Em primeiro lugar é que a gente gosta muito do que faz, gosta muito de mexer com café. Por a gente gostar, por eu gostar, por meu filho gostar, a gente dedica muito no pós-colheita, que é essencial para manter a qualidade. Não tem muito segredo não, é fazer tudo o mais perfeito que você conseguir fazer e estar sempre melhorando mais, porque perfeito ninguém é. Sempre tem alguma coisa que no ano seguinte você tenta melhorar. Estou ganhando vários concursos ai, este ano mesmo mandei 13 lotes e os 13 foram finalistas, mas isso não quer dizer que eu sei tudo não, tem muito a que melhorar ainda, temos muito a melhorar essa nota ainda”, diz o produtor.

Dá uma satisfação danada né, você se sente com o dever cumprido, de você fazer pensando nisso, de conseguir uma boa qualidade e você conseguiu superar aquilo que você estava imaginando. A satisfação que eu tenho de ver a pessoa comentar que estava em outro país e viu um café seu, não tem dinheiro que pague, a satisfação é imensa.”
Sebastião Afonso da Silva, produtor de cafés especiais

Por causa do reconhecimento obtido nos concursos, hoje o café produzido por Sebastião Afonso na região de Cristina já é vendido para compradores de países como Estados Unidos, Alemanha, Austrália, Suíça e até o Japão. Para receber os “gringos” que visitam sua fazenda para conhecer melhor o produto, o produtor conta com a ajuda do filho Helisson, que ajuda o pai em todas as etapas de produção. Para negociar, eles contam com a ajuda de tradutores, já que ainda não aprenderam a falar outra língua.

“Eu tenho vontade sim de fazer um curso, de aprender, até para saber o que eles escrevem sobre a gente. Os tradutores sempre falam pra gente o que eles estão dizendo, mas a gente quer aprender”, diz Helisson Afonso.

Para o produtor, saber que o café dele está sendo procurado por gente de todo o mundo, é motivo de orgulho. Mas ele diz que ainda tem muito a aprender.

“Dá uma satisfação danada né, você se sente com o dever cumprido, de você fazer pensando nisso, de conseguir uma boa qualidade e você conseguiu superar aquilo que você estava imaginando. A satisfação que eu tenho de ver a pessoa comentar que estava em outro país e viu um café seu, não tem dinheiro que pague, a satisfação é imensa. Ainda tem muito o que aprender, nunca a gente sabe tudo, ninguém sabe tudo, até os professores estão aprendendo no dia a dia, ainda mais quem trabalha com a lavoura, que é uma coisa incerta”, diz Sebastião.

Sebastião e uma amostra do café produzido em Cristina: "Não há dinheiro que pague a satisfação" (Foto: Lucas Soares/G1)Sebastião e uma amostra do café produzido em Cristina: Não há dinheiro que pague a satisfação (Foto: Lucas Soares/G1)

Mudança de foco e aposta na qualidade
A qualidade dos cafés especiais produzidos na Mantiqueira de Minas começou a ganhar o mundo a partir do ano 2000, quando um projeto implantado na região passou a incentivar a produção especial. Na época, o mercado precisava de um diferencial. Com a mão de obra da região praticamente 100% manual e o custo de produção muito alto, era preciso uma forma de se agregar valor para conseguir uma remuneração melhor para o produtor e os trabalhadores. Com o início do projeto e a participação nos primeiros concursos de qualidade, a região começou a ganhar visibilidade.

“Por causa dos cafés especiais, os compradores começaram a voltar os olhares para a Mantiqueira, saber que a região tinha um café de qualidade. O concurso mostrava isso para o mundo e abriu portas. Nisso começou o processo de exportação na região”, conta o trader da Cooperativa Regional dos Cafeicultores do Vale do Rio Verde (Cocarive), Wellington Carlos Pereira.

Cooperativa em Carmo de Minas tem setor especial para exportação de cafés finos de produtores da região (Foto: Lucas Soares/G1)Cooperativa em Carmo de Minas tem setor especial
para exportação de cafés finos de produtores da
região (Foto: Lucas Soares/G1)

Hoje a cooperativa de Carmo de Minas (MG) possui um setor dedicado para a exportação dos cafés especiais produzidos na região. A primeira exportação aconteceu em 2012, e hoje, quase quatro anos depois, a cooperativa já exporta cerca de 23 mil sacas por ano para compradores de 14 países. Uma parceria com uma empresa norte-americana garante que o café produzido na Mantiqueira fique estocado nos Estados Unidos, para atender pequenas cafeterias.

Para isso, foi montada uma estratégia especial para que aqueles produtores que não sejam classificados no concurso, mas que também produzem um café de qualidade, possam ter seu produto vendido lá fora. Uma das regras é que esses produtores possuam cafés que sejam classificados com no mímino 83 pontos, conforme os critérios internacionais de pontuação. Segundo o trader da Cocarive, hoje o produtor de café especial consegue ter uma rentabilidade pelo menos 30% maior do que um produtor comum.

“A gente consegue ter um produto de melhor qualidade para concorrer com outros exportadores no Brasil e um preço diferenciado, porque o volume desse café especial na Mantiqueira de Minas é acima da média no país em áreas de produção. A intenção é que, com essa qualidade, a gente possa mostrar melhor a cara da Mantiqueira e agregar valor, porque quanto mais fino o café, melhor a rentabilidade para o produtor”, diz Pereira. Atendidas as regras, o produtor recebe um selo de indicação de procedência, com um QR Code, onde o importador consegue rastrear todas as informações de origem daquele produto.

Altitude, clima e solo favoráveis beneficiam a produção de cafés especiais na Mantiqueira (Foto: Arquivo Pessoal / Sebastião Silva)Projeto especial incentiva cafeicultores a produzirem cafés especiais para concurso na região de Cristina e Carmo de Minas (Foto: Arquivo Pessoal / Sebastião Silva)

“Hoje nós fazemos um trabalho de campo para levar a mensagem aos produtores de que existe esse diferencial. Às vezes o produtor está dentro da região e não sabe que está em uma região diferenciada. O café que se produz aqui, não se produz em nenhum lugar do mundo, só neste ambiente”, diz gerente administrativa da Cocarive, Lilia Maria Dias Junqueira.

Investimento em concursos e atração de estrangeiros
Assim como Sebastião Afonso, muitos outros produtores da região têm colhido frutos do investimento na produção de cafés especiais. O produtor Luiz Paulo Dias Pereira Filho, que também é diretor de uma exportadora de cafés em Carmo de Minas (MG), município que fica a apenas 23 Km de Cristina, diz que os resultados estão vindo devido a um maior cuidado com o produto.

O produtor Luiz Paulo se reúne com representante de empresa norte-americano: visita de 500 estrangeiros em 1 ano (Foto: Lucas Soares/G1)O produtor Luiz Paulo se reúne com representante
de empresa norte-americano: visita de 500
estrangeiros em 1 ano (Foto: Lucas Soares/G1)

“A parte mais importante nem é a questão de clima, altitude, eu acho que o que realmente faz a diferença é o processo, o carinho, como o produtor aqui da região trata o café, como ele quer fazer um café de concurso e um café de qualidade. O produtor hoje gosta de participar de concurso, quer participar de concurso, então isso faz a diferença, o carinho com o café”, diz ele.

A consequência, tem sido uma maior profissionalização dos produtores. Muitos abandonaram o velho ‘modus operandis’ da produção do café commoditie, para apostar em produtos mais finos.

“A cada ano que passa tem um produtor animando, querendo melhorar a qualidade, um produtor querendo estar entre os melhores cafés do Brasil e automaticamente toda a região ganha, porque não são só os cafés que vão para o concurso, mas os outros cafés também produtos são de altissima qualidade. Em muitas regiões o produtor procura um café para participar de concurso, aqui eles fazem o café para concurso. Não só para concurso, mas para vender o café de qualidade. Ele faz o café para ser considerado um dos melhores do Brasil”, conta o produtor.

Hoje a empresa de do produtor já exporta cafés especiais para 32 países. Segundo ele, é cada vez maior o número de estrangeiros que visitam a região para conhecer o café que é produzido na Mantiqueira de Minas.

Estrangeiros têm visitado região da Mantiqueira em busca de informações sobre os cafés especiais (Foto: Arquivo Pessoal / Sebastião Silva)Estrangeiros têm visitado região da Mantiqueira em busca de informações sobre os cafés especiais (Foto: Arquivo Pessoal / Sebastião Silva)

“Eles sabem que como aqui tem os cafés de concurso, os produtores (em geral) têm outros semelhantes. Pode até o do concurso ser o melhor, mas eles têm outros tão bons quanto. A exportação dos cafés da região, a procura pelos cafés de qualidade na região é alta, exatamente por isso. Eles vem atrás de café de qualidade. É muita gente que compra nosso café. Dificilmente você não vai achar em algum lugar do mundo uma cafeteria que tenha café aqui da região”, diz o produtor, acrescentando que somente em 2015, recebeu em seu escritório a visita de cerca de 500 estrangeiros em busca de café especiais.

Aumento da demanda também no mercado interno
Embora não existam números oficiais sobre a representatividade das exportações dos cafés especiais hoje no Brasil, a estimativa é de que 10% do total exportado, cerca de 3,5 milhões de sacas, sejam de cafés finos. Apesar da tendência ser um crescimento nesses números, a representante da BSCA diz que cada vez aumenta a demanda pelo consumo de cafés especiais no mercado interno, devido à expansão das redes de cafeterias e também da popularização das máquinas de café expresso.

Segundo representante da Associação Brasileira de Cafés Especiais, tendência é de aumento do consumo interno (Foto: Lucas Soares/G1)Segundo representante da Associação Brasileira de
Cafés Especiais, tendência é de aumento do
consumo interno (Foto: Lucas Soares/G1)

“Você já tem alguns centros de consumo bastante interessantes no Brasil. Curitiba é o maior, maior até que São Paulo, com excelentes cafeterias. A gente já começa a ver isso se espalhar também por cidades como Porto Alegre, Brasília, Salvador, Recife e Campinas. Com a chegada das cápsulas e a facilidade que elas trazem, o pessoal começou a se atentar que é possível tomar coisa muito melhor do que se tomava. A medida que você vai tomando um café de mais alto nível, começa a ficar complicado tomar outros”, completa Vanusia.

Cup of Excellence
O Cup of Excellence é um concurso que começou a ser realizado no Brasil em 1999 e depois também passou a ser organizado em vários países. A competição reúne jurados internacionais que avaliam lotes de cafés especiais produzidos nos países onde é organizado. No Brasil, concorrem amostras de cafés lavados e cerejas descascados e desde 2010, amostras cafés naturais. As competições acontecem somente com amostras de produtores de um mesmo país. No entanto, as duas maiores notas obtidas até hoje nas duas categorias em todo o mundo foram registradas no Brasil.

Cup of Excellence – Brazil 2018 anuncia os melhores cafés especiais do Brasil

outubro 22nd, 2018 ·

o concurso Cup of Excellence – Brazil 2018 anunciou o resultado da etapa internacional que aconteceu em Guaxupé, Sul de Minas Gerais, de 15 a 21 de outubro, revelando para o mercado quais são os melhores cafés especiais do País.

Da categoria “Pulped Naturals”, o cereja descascado, em que 37 amostras foram analisadas, sagrou-se campeã a empresa Primavera Agronegócios, com o café produzido na Fazenda Primavera, em Angelândia, na região da Chapada de Minas Gerais, com a nota 93,89 pontos. Destacado por “gueixa”, um novo tipo de café que está sendo produzido no Brasil, Leonardo Montesanto Tavares recebeu o troféu. “Esse prêmio mostra que o trabalho vale a pena, que a dedicação é importante e que somos profissionais no que fazemos. Muito além do financeiro, o mais importante é poder mostrar para o mundo que o Norte de Minas também produz café de excelência. Esse prêmio é de todos da fazenda Primavera”, disse emocionado.

Ainda nesta categoria também receberam o título de café presidencial ao obter pelo júri nota superior a 90 pontos:
– Reinaldo Garcia dos Santos, Sítio Fortaleza, de Luisburgo, região de Matas de Minas.
– Empresa Dimap, Fazenda Santo André, em Pratinha, na Denominação de Origem do Cerrado Mineiro.
– Maria José Junqueira Céglia, Granja São Francisco, em Carmo de Minas, na Identificação de Procedência da Mantiqueira de Minas.
– Antônio Macedo Souza, sítio Santo Antônio, em Piatã, Chapada Diamantina, Bahia.

Já da categoria “Naturals”, tipo natural em que o modo de preparo é via seca, 40 amostras foram analisadas. O café cultivado por Maria do Carmo Andrade, na Fazenda Paraíso, em Carmo do Paranaíba, situada na Denominação de Origem do Cerrado Mineiro, foi o campeão com 93,26 pontos. Ismael José de Andrade é quem recebeu o troféu. “O prêmio é o coroamento de uma vida de trabalho e dedicação, minha, da minha família e de todos os envolvidos, muita gente que acredita no café e no potencial dele. É também uma grande responsabilidade. Estou muito feliz”, afirmou.

Outros sete cafés também receberam o título de café presidencial, com nota superior a 90 pontos:
– Robson Vilela Martins, Fazenda São Pedro, no município de Cristina, Mantiqueira de Minas;
– Salvador da Paixão Mesquita, Chácara São Severino, em Piatã, na Chapada Diamantina, Bahia.
– Silvia Dias Cambraia, Fazenda Campo Alegre, em Santo Antônio do Amparo, Sul de Minas Gerais.
– Álvaro Antônio Pereira Coli, Sítio da Torre, em Carmo de Minas, região da Mantiqueira de Minas.
– Augusto Borges Ferreira, Sítio Fortaleza, em São Gonçalo do Sapucaí, Minas Gerais, em Mantiqueira de Minas.
– Alessandro Alves Hervaz, Fazenda Fortaleza, em São Gonçalo do Sapucaí, Minas Gerais, região da Mantiqueira de Minas.

Os lotes finalistas das duas categorias participam agora de leilões internacionais, entre os quais 100 potenciais compradores de 40 países aguardam para arrematar as sacas brasileiras. Em 2017, por exemplo, sacas de café cereja descascado chegaram a ser leiloadas por R$ 55 mil e do café natural por mais de R$ 39 mil.

Sobre o Concurso – Etapa Internacional
Nesta edição, o concurso, que é considerado a Copa do Mundo do Café, recebeu 1.000 amostras de cafés, tanto da categoria Pulped Naturals (via úmida) quanto Naturals (via seca), enviadas de diferentes regiões produtoras do Brasil, referentes a safra de café arábica 2018. Para a etapa internacional, foram classificadas 77 amostras, sendo 37 de café cereja descascado e 40 de café natural. Os atributos analisados por 29 juízes brasileiros e de outros 10 países foram: Fragrância/Aroma, Uniformidade, Ausência de Defeitos, Doçura, Sabor e Equilíbrio.

O evento é realizado pela Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA) em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) e a Alliance for Coffee Excellence (ACE). Nesta edição, a cooperativa Cooxupé e a SMC Specialty Coffee foram as anfitriãs do concurso.

Auditado pela Agricert Brasil, o Cup Of Excellence é o principal concurso de qualidade para café do mundo, que avalia os cafés naturais (sistema de preparo em via seca) e os cerejas descascados/despolpados (preparados pelo sistema em via úmida) no País.

Ismael José de Andrade é o vencedor da categoria Natural do Cup of Excellence – Crédito Divulgação

Leonardo Montesanto Tavares é o vencedor da categoria café cereja descascado – Divulgação

Fonte: Assessoria em Comunicação Phábrica de Ideias