O uso de ervas como Plantas Medicinais – tratamentos fitoterapeuticos

O uso de ervas como Plantas Medicinais – Tratamentos Terapêuticos

Desde a antigüidade, desde que o homem surgiu na face da Terra, tem usado as plantas na alimentação, nos rituais religiosos, na aromatização de ambientes, na ornamentação de jardins e para a cura ou alívio de seus males. Nos últimos anos, por
puro preconceito, a sociedade capitalista conseguir colocar na cabeça das pessoas, “coisas” que fizeram desacreditar do poder que as plantas possuem para resolver e curar seus problemas, equilíbrios e distúrbios de saúde. Neste material, vamos
apresentar de forma objetiva e sintética, os conhecimentos adquiridos de forma popular nos trabalhos realizados de extensão rural e algumas literaturas consultadas.
Temos consciência de que não se deve cogitar uma invasão na já tão devastada natureza, pois, além dos danos ecológicos que causariam, haveria dificuldade no controle da qualidade dos medicamentos vegetais. A solução que propomos para a obtenção da matéria-prima é o cultivo de Plantas Medicinais, seja em hortas caseiras, ou em escala comercial, principalmente como alternativa de renda para pequenas propriedades, além de democratizar o uso das mesmas. O seu cultivo proporcionará também a preservação de espécies de reconhecido valor terapêutico que estão em vias de extinção, devido a coleta desenfreada das mesmas.
 
Fitoterapia:


Fitoterapia é o tratamento de doenças com o uso de plantas medicinais e consiste na busca do equilíbrio e da saúde como um todo. Pode ser feito de forma curativa, mas é mais eficiente, se for feito de forma preventiva.
A todo momento, estamos em contato com microrganismos patogênicos, mas que o corpo sadio controla, por meio de mecanismos de defesa. Segundo a OMS – Organização Mundial de Saúde, saúde “ é um estado de completo bem-estar físico mental e social, e não meramente a ausência de doenças ou enfermidades”. Para a manutenção da saúde, deve-se buscar a prevenção, promovendo a saúde em geral, evitando que as doenças possam se estabelecer.
Mesmo quando se cuida da saúde preventivamente, ela é afetada e adoecemos. Nesta hora, temos de lançar mão do poder curativo e, aí, as plantas medicinais têm um papel importantíssimo na saúde da humanidade, desde de que o homem pisa a terra.
A fitoterapia, no entanto, não é uma ciência simples e sem efeitos. Deve ser utilizada dentro de normas e técnicas que deverão ser discutidas, mas antes não devemos esquecer que “a orientação médica é fundamental e a fitoterapia é apenas
mais uma forma de tratamento”.





Vantagens da Fitoterapia



Obtenção da saúde com menores efeitos colaterais, melhorando a qualidade de vida com menor custo e melhor eficiência dos medicamentos alopáticos quando usados conjuntamente com fitoterápicos.

Os antibióticos perdem o efeito, pelo seu mau uso, pois a cada ano a industria lança novos antibióticos, pois muitas cepas de bactérias já são resistentes aos antigos. Devemos deixar a alopatia para ser usada quando, realmente, necessária, e não nos entupirmos de medicamentos.

O uso de fitoterápicos participa da preservação do meio ambiente, pois os efluentes humanos, fezes e urina que são jogados no esgoto, são mais limpos e participa também da preservação da biodiversidade, pois as plantas deixam de ser “daninhas” e se transformam em recursos naturais a serem preservados. Diminui

ainda a poluição com o uso de agroquímicos e a busca da agricultura orgânica e resgatando a cultura popular.

 

Cuidados no Uso

O uso pouco cuidadoso das plantas medicinais tem causado efeitos indesejados como intoxicações e mesmo a ausência da resposta medicamentosa esperada. Este mau uso se deve ao conhecimento insuficiente do assunto, a pouca informação ou mesmo à falsa idéia de que “ que é natural ”se não fizer bem, mal não

fará.

O risco de intoxicação pelo uso de plantas é grande. Estas intoxicações normalmente ocorrem por causa de erros na identificação das espécies (uso de nomes populares), do uso de quantidades excessivas de determinadas plantas, do preparo e uso inadequados e, principalmente, por causa do uso de plantas com

efeitos tóxicos.

Determinadas plantas medicinais podem, ainda, provocar queimaduras na pele como a arruda, leite de figo, sumo de frutas cítricas, mil em rama entre outras, e algumas sofrem fotosensibilização quando expostas ao sol e podem provocar queimaduras.

Plantas mofadas podem causar danos a saúde, pois os fungos produzem toxinas, que agridem, principalmente, o fígado, podendo causar intoxicação.

(Plantas Medicinais – Manipulação Artesanal, Uso e Costume Popular – Angelo L.Robertina – Eng. Agrônomo – Emater-Pr.)
 
 
A atenção primária à saúde (APS) foi definida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em 1978 como “Atenção essencial à saúde baseada em tecnologia e métodos práticos, cientificamente comprovados e socialmente aceitáveis, tomados universalmente acessíveis a indivíduos e famílias na comunidade por meios aceitáveis para eles e a um custo que tanto a comunidade quanto o País possam arcar em cadaestágio de seu desenvolvimento, um espírito de autoconfiança e autodeterminação. É parte integral do sistema de saúde do País, do qual é função central, sendo o enfoque principal do desenvolvimento social e econômico global da comunidade. É o primeiro nível de contato dos indivíduos, da família e da comunidade com o sistema nacional de saúde, levando a atenção à saúde o mais próximo possível do local onde as pessoas vivem e trabalham, constituindo o primeiro elemento de um processo de atenção continuada à saúde” (Declaração de Alma-Ata, Genebra, 1998).

Embora a medicina moderna esteja bem desenvolvida na maior parte do mundo, a OMS reconhece que grande parte da população dos países em desenvolvimento depende da medicina tradicional para sua atenção primária, tendo em vista que 80% dessa população utilizam práticas tradicionais nos seus cuidados básicos de saúde e 85% deles utilizam plantas ou preparações feitas com elas (MS, 2007).

A Assembléia Mundial de Saúde, em 1987, reiterou as recomendações feitas pela Declaração de Alma-Ata e recomendou enfaticamente aos Estados membros iniciar programas amplos relativos à identificação, avaliação, preparo, cultivo e conservação de plantas usadas em medicina tradicional; e assegurar a qualidade das drogas derivadas de medicamentos tradicionais extraídos de plantas, pelo uso de técnicas modernas e aplicações de padrões apropriados e boas práticas de fabricação (BPF) (MS, 2007).

Em 1991, a OMS reforçou a importante contribuição da medicina tradicional na prestação de assistência social, especialmente às populações que têm pouco acesso aos sistemas de saúde, e solicitou aos Estados-membros que intensificassem a cooperação entre praticantes da medicina tradicional e daassistência sanitária moderna, principalmente no tocante ao emprego de remédios tradicionais de eficácia científica demonstrada, a fim de reduzir os gastos com medicamentos. Sugeriu, também, que todos esses remédios fossem aproveitados plenamente e que os produtos naturais, em particular os derivados de plantas, poderiam conduzir ao descobrimento de novas substâncias terapêuticas (MS, 2007).

Sendo assim, selecionamos alguns distúrbios menores, ou seja, patologias ou estados físicos que não são considerados graves, e sugerimos tratamentos com plantas presentes na Farmacopéia Brasileira. Lembramos que é necessário voltar aos capítulos anteriores ou o contato com o seu conselho declasse para verificar a possibilidade de recomendação ou prescrição de cada forma farmacêutica (droga vegetal, tintura, extrato seco, xarope).  (PANIZZA, 2010)